Os cinco coloridos quadros do artista santomense Kwane Sousa expostos no Museu de Portimão revelam um olhar subjetivo sobre um peixe seco do Sotavento algarvio, o litão, através traços muito típicos de África. «Ando por cima [das telas], aproveito o movimento do corpo e o jogo de cores», para criar estas obras, que recordam ao artista a terra natal São Tomé e Príncipe, explicou ao «barlavento».

Durante a inauguração, na quinta-feira, 27 de outubro, Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, reforçou que este é um projeto que «permite receber os turistas de forma diferente» com exposições, sessões de cinema, teatro ou dança.
A arte deu lugar à intensidade dos cheiros da cataplana de litão, confecionada ao vivo por André Magalhães no restaurante do Museu, com direito a prova de vinhos. O refogado intrigou os presentes, por levar incluir na receita algas das Rias Formosa e de Alvor. «Onde é que se compram? Tenho que ir nadar para as encontrar?», atirou uma curiosa em tom de brincadeira.
«É como fazer uma caldeirada», comparou. «Colocam-se os ingredientes por camadas e tapa-se durante quinze minutos», tempo suficiente para a cataplana fervilhar, já com o litão, o tomate, as batatas e os temperos aromáticos. Da cataplana nada sobrou, mas os próximos visitantes poderão assistir a um vídeo protagonizado pelo primeiro chef convidado a fazer render o peixe no Museu de Portimão.
Por Alexandra Delgado (com Ana Sofia Varela)