Uma pequena apresentação levantou o véu da programação do terceiro ciclo do projeto cultural Lavrar o Mar, na quarta-feira, 7 de novembro, em Monchique, onde Ângela Ferreira, secretária de Estado da Cultura, foi uma das figuras do público.
O ator António Fonseca ficou encarregue de aguçar o apetite para aquele que é o primeiro espetáculo da programação, que se iniciou no fim de semana de 10 e 11 de novembro e que repete a 17 e 18, às 11h00 e às 14h30, com «Medronho – O Fogo Não Tem Quatro Letras». Na continuação da saga do Romeu e Julieta monchiquenses, o ator dá corpo a Manuel Monteiro, pai de Ezequiel e Teodoro, duas das personagens do ano passado. Não era para ser assim, mas o fogo este verão atacou de novo Monchique e levou à mudança dos planos dos diretores artísticos Madalena Victorino e Giacomo Scalisi. A revolta e o luto são alguns dos elementos do novo quotidiano da vila, retratado nesta peça.
Mas haverá mais para ver até maio de 2019, pois segue-se um baile culinário durante o Festival da Batata-Doce em Aljezur, um teatro para o público infantil e o já tradicional espetáculo de novo circo na passagem de ano em Monchique.
Na programação contam ainda as residências artísticas de Eva Poro, a segunda parte de «Medronho», em Marmelete, uma residência artística com a funambulista Tatiana-Mosio Bongonga, que fará a Grande Travessia em Aljezur e a apresentação de uma companhia francesa que pratica acrobacia de mão a mão. Esta jornada do Lavrar o Mar, inserido no «365 Algarve» é também financiado pelo Portugal 2020, Direção Geral das Artes e pelas Câmaras Municipais de Aljezur e Monchique.
Ângela Ferreira, secretária de Estado da Cultura, ficou satisfeita com o que viu. «Estas propostas são fantásticas, exatamente pela capacidade de colar o turismo ao ambiente, à natureza, e à cultura, em prol dos territórios de baixa densidade», afirmou. O combate à desertificação é uma das mais-valias até porque, tal como acredita a governante, conhecer os territórios e manter as tradições ajudam a sedimentar e a levar mais pessoas a viver nestas zonas.
«O Lavrar o Mar, inserido no 365 Algarve, tem colaborado com isso. Aliás, de acordo com os nossos inquéritos e com algumas estatísticas, percebemos que a sazonalidade da região tem vindo a diminuir. No inverno já temos mais população a visitar estes territórios afastados da praia para usufruir de outra programação e de outras características que a região tem para oferecer», defendeu Ângela Ferreira.
Já Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, aproveitou ainda a oportunidade para recordar que, «numa atitude arrojada», estas duas autarquias resolveram afirmar este formato, ainda nem havia apoios do 365 Algarve. «Na altura, nem todas as pessoas percebiam porque é que esta era uma aposta estratégica num território. Ter programação regular e fazer deste evento uma âncora para outro tipo de projetos, que depois surgiram, foi acima de tudo uma assunção de que a cultura é o veículo para o desenvolvimento local. Queremos criar raízes nas pessoas e queremos que a nossa cultura não seja vista como uma questão elitista, mas que assegure o passado e o património que herdamos», concluiu o autarca.
