Júlio Resende, pianista e compositor Algarvio, teve um ano de 2018 imparável e recebe agora a distinção de «Personalidade do Ano a Sul 2018» atribuída pelo segundo ano consecutivo pelo site de opinião «Lugar ao Sul».
O músico participou, em 2018, no Festival da Canção, como compositor da música que Emmy Curl interpretou, e teve a oportunidade de actuar, com Salvador Sobral, para uma audiência de milhões de pessoas em todo o mundo ao lado de um dos seus ídolos, Caetano Veloso, na final do Festival Eurovisão da canção em Lisboa.
Júlio Resende é um profissional inspirador e os autores do site «Lugar ao Sul» entenderam distingui-lo, depois de em 2017 ter sido distinguido João Guerreiro, ex-reitor da Universidade do Algarve, que foi o presidente da Comissão Técnica Independente responsável pelo apuramento das causas das tragédias dos incêndios de 2017.
O palco tem chamado insistentemente por ele. Seja a solo, seja em dueto com Salvador Sobral, seja através do projecto comum de ambos, a banda «Alexander Search», foram muitos os concertos que o apresentaram definitivamente ao país em 2018. Foi também em 2018 Júlio Resende voltou a editar um álbum, «Cinderella Cyborg».
Os últimos anos têm sido intensos para Júlio Resende. Em 2007 grava o seu primeiro álbum – «Da Alma» – através de prestigiada editora de Jazz Clean Feed, tornando-se o mais jovem músico português a editar um disco para esta editora, enquanto líder.
Segue-se, em 2009, «Assim Falava Jazzatustra», álbum que viria a ser considerado um dos melhores discos do ano pela crítica especializada.
Em 2011 surge «You Taste Like a Song», um disco em Trio, com a participação de grandes músicos. Este foi classificado com cinco estrelas pela Revista TimeOut. Em Outubro de 2013 lança Amália por Júlio Resende. Este foi o seu primeiro disco a solo, onde revisita algumas canções do repertório de Amália Rodrigues, iluminado pela memória e pela voz da fadista, num dueto «impossível» no tema «Medo».
Este trabalho mereceu a melhor atenção por parte da crítica nacional e internacional. Da prestigiada Clássica francesa onde recebeu «CHOC DISC*****», à célebre Monocle, o consenso foi claro: este é um disco que marca e «está ao nível do que de melhor se faz pelo vasto Mundo». Seguem-se «Fado & Further» e «Amália por Júlio Resende».
Pelo caminho ainda cria «Poesia Homónima» com o psiquiatra Júlio Machado Vaz, onde apresentam poemas de Eugénio de Andrade e Gonçalo M. Tavares. De relevância assinalável é igualmente o cuidado que tem na escolha das vozes que acompanha ao piano, onde se destacam, a título de exemplo, para além de Salvador Sobral, Elisa Rodrigues e Sílvia Perez Cruz, com quem também já gravou.
Mas Júlio Resende não se esgota na música. Assina uma coluna de opinião na Revista Visão onde aborda temas diversos. O também licenciado em filosofia é alguém que reflecte regularmente sobre si e sobre os outros. Quando questionado recentemente pela revista Blitz sobre a forma como a filosofia o acompanha, afirmou que esta «o obriga a pensar em conceitos interessantes e a trabalhá-los bem. Tento trazer essas reflexões para o mundo musical, ainda que a música seja outra coisa, que vem depois da reflexão. A reflexão faz-se para trás, a vida faz-se para a frente, como se costuma dizer em filosofia. E a música também.”
Em 2018, Júlio Resende conseguiu impor a sua marca num país que ainda vive profundamente centralizado. Além disso, «entendemos que a sua forma de olhar o mundo vai ao encontro do que temos vindo a defender no Lugar ao Sul: necessitamos de mais e melhor opinião». Sobre essa ideia, Júlio Resende, tem uma frase lapidar: «As pessoas que digam coisas! Mas tentem pensá-las antes de dizer, já não seria mau».
A data e local da cerimónia pública de atribuição desta distinção serão anunciadas em breve.