O «barlavento» foi ao encontro de um clube com cerca de trinta participantes, com idades compreendidas entre os oito e os 60 anos, a treinar regularmente. «As pessoas vêm pela preparação física e, mais cedo ou mais tarde, decidem experimentar a competição, alguns com quarenta e muitos anos e idade para terem juízo», diz Jorge Remígio.
A escola foi fundada em 2009. Utiliza as instalações do Pavilhão Jacinto Correia, em Lagoa. Neste momento, possui uma delegação em Portimão, nos Três Bicos. Atualmente, José Pedro Brás está mais ativo na parte técnica, porque tem mais tempo disponível.
Por motivos profissionais, Jorge Remígio, engenheiro químico, tem menos disponibilidade de tempo, mas é um suporte importante na preparação dos atletas para o mixed martial arts (MMA).
Foram campeão nacional por equipas, em 2012, contra clubes com duas e três vezes o número de atletas inscritos. E quase todos arrecadaram medalhas individuais.
«O sucesso é fruto da união do grupo, porque cada um tenta ser melhor, mas as pessoas têm investido um pouco de si no treino dos outros», revela Remígio, 40 anos, natural de Portalegre, que se iniciou nas artes marciais aos cinco, com o pai, instrutor de combate corpo a corpo no exército.
Depois, o pai inscreveu-o no judo, de onde passou para o karaté. «Aos treze anos, agarrei numa mochila e fui para Inglaterra treinar com a equipa que derrotou os japoneses. Era o karaté tradicional, sem luvas, a sério. Fui campeão nacional da modalidade».
Nessa altura, encontrou José Pedro Brás, na altura com onze anos, e começaram a treinar juntos. Sequencialmente, foram passando pelo kick-boxing, thai-boxing e karaté contacto. Até que…
«Em 1993, descobri o jiu-jitsu», revela Jorge Remígio. «Vi um indivíduo magro, aí com oitenta quilos, sem bater em ninguém, a derrotar oponentes com cento e vinte ou cento e trinta quilos, sem lhes bater. E as regras eram escassas. Basicamente, era não morder e não atacar os olhos. E ele ganhava, sem aleijar ninguém».
O senhor em questão era o mestre brasileiro Royce Gracie, profissional de artes marciais, faixa-preta de jiu-jitsu sétimo grau e com uma brilhante carreira no «vale-tudo» mundial, combates de contacto que permitem combates entre praticantes de diferentes artes marciais.
José Pedro Brás foi de Silves para Lisboa estudar arquitetura, mas com o jiu-jitsu em mente. Contudo, segundo nos contou, «não consegui encontrar essa modalidade e fui praticando judo e muay thai. Finalmente, apareceu e comecei a praticar, mas sem competir. O que queria mesmo era praticar e melhorar».
Entretanto, terminou o curso e, mais tarde, regressou a Lagoa. Não havia professores e, para praticar, foi obrigado a dar aulas. Convidou um grupo restrito de amigos, entre eles o Jorge Remígio, que o iniciara no karaté.
«Entretanto, fiz muitas viagens a Lisboa e ao estrangeiro, em busca de mais conhecimentos, para evoluir. Em 2009, fundámos o Royce Gracie Portugal Team – Algarve».
Ao contrário da maioria dos atletas, que têm na cabeça uma listagem de todos os títulos conquistados, esta dupla não lhes dão grande importância, preferindo colocar o ênfase na sua escola e no trabalho de formação.
No entanto, descobrimos que Jorge Remígio foi campeão europeu em 2009. José Pedro Brás participou na primeira competição, em 2005, obtendo um segundo lugar. Em 2007, foi campeão nacional, faixa azul. Em 2009, segundo em submissão, uma variante praticada sem quimono e que serve de preparação para o vale-tudo, ou mixed martial arts. Já foi terceiro europeu, em faixa roxa. Tem obtido excelentes resultados na faixa castanha, tendo sido campeão nacional.
Como só ganhou a faixa preta em 2014 e, ultimamente, se tem dedicado mais ao ensino do que à sua preparação para combate, ainda não competiu nesta categoria.
Este arquiteto, pelo seu amor ao jiu-jitsu, está a cursar Educação Física e Desporto no ISMAT. Considera voltar às competições, na categoria de master, em faixa preta, até a nível internacional. O engenheiro químico tem a família como prioridade, mas não descarta a ideia de, um dia, voltar a competir.
Em termos de academia, estão a expandir-se para Portimão, mas gostariam de ter mais horários e mais condições de trabalho, em Lagoa, para conseguirem mais e melhores atletas.
Já tiveram uma estreia com dois atletas na componente MMA e desejam continuar a fazê-lo, paralelamente ao jiu-jitsu desportivo. «É uma coisa mais séria, em termos de lesões, obrigando a uma maior maturidade do atleta».
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Quem estiver interessado em experimentar a modalidade, poderá fazê-los nos locais e horários
seguintes:
Pavilhão Jacinto Correia, em Lagoa, segundas, quartas e sextas-feiras, iniciados às 19 horas e avançados às 20 horas;
Centro de Treinos, Três Bicos, em Portimão, terças e quintas-feiras, às 21 horas.