Escreve as histórias, filma e edita-as. David Venâncio, mentor do projeto «Screen Inside», conta ao «barlavento» que tudo começou por brincadeira.
Contudo, a passagem de duas curtas-metragens da sua autoria no canal TVI Ficção deram-lhe a certeza que o projeto tinha «pernas para andar».
Inicialmente, escolheu «Cinematique» para a sua produtora, mas devido ao facto de qualquer filme precisar sempre de uma tela para ser exibido, resolveu mudar o nome para «Screen Inside».
Em entrevista ao «barlavento», David Venâncio confidencia que não gosta de cinema português por achar que os argumentos seguem uma matriz muito parecida. Enquanto autor, gosta de jogar com várias vertentes, ação, emoção e «um pouco de sangue» para apimentar as histórias.
Escrever um guião em papel não faz parte da forma como concretiza as ideias. Prefere «meter tudo na cabeça», ir para o local e improvisar, dar espaço a novas ideias que surjam.
Outro fator transversal às suas obras é uma boa dose de realismo. Venâncio retrata sociedade a cru, mesmo que isso possa chocar um público mais habituado ao politicamente correto. «A ideia é mesmo essa», admitiu.
O apoio dos amigos e da família é imprescindível para tudo isto ser possível de realizar. David destaca duas ajudas «muito importantes», por detrás das câmaras, ao nível de luz, captação de som e maquilhagem.
No início do projeto «Screen Inside», o elenco era quase sempre formado pelas mesmas pessoas. Contudo, começou a receber algum encorajamento para «investir em caras novas».
Agora, quando procura uma determinada personagem, desafia as pessoas através do facebook, um meio «fantástico» para se fazerem castings.
E não têm faltado interessados. As respostas obtidas «têm sido positivas», embora algumas pessoas com vontade de participar, por vezes se manifestem «intimidadas» por não conhecerem o coletivo «Screen Inside». Mas em boa verdade, mada há a temer, porque rapidamente o grupo «põe à vontade» quem chega para participar. No final das filmagens, é frequente ficar a vontade de fazer mais.
A forma encontrada para retribuir a «boa vontade» dos voluntários é a oferta da alimentação (catering), já que o projeto não tem qualquer tipo de apoio financeiro. A ajuda monetária para as despesas é angariada através de patrocínios. «Ainda há quem se interesse, mas geralmente sai tudo da nossa carteira», admite.
A vontade de fazer cinema é tanta, que a SI já chegou a investir num orçamento de produção que rondou os 150 euros. Obviamente que os orçamentos reduzidos também condicionam a escolha dos locais para as filmagens. A maioria são realizadas em Algoz, já que muitos dos envolvidos no coletivo são «daquele meio».
Ninguém tem formação específica na área. Contudo, David lamenta a «inveja» por parte de quem têm mais conhecimentos, pelo medo de «poder passar à frente».
Existem muitos planos em mente, mas terão que avançar com «calma». «Contra relógio» é o tema do próximo trabalho, e em breve, o objetivo é gravar no centro de Portimão. No futuro, David Venâncio tem planos para gravar fora do Algarve e aceitará «todos os desafios que lhe são lançados».
TEXTO: coordenação Ana Sofia Varela com Sónia Batista.