A ministra da Saúde anunciou que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) passou a estar na sua dependência direta, alegando que o instituto assume uma «prioridade enorme» devido ao alarme social dos últimos dias.
«O INEM passou a estar debaixo da minha dependência direta desde há dois dias porque é uma matéria de uma prioridade enorme como se está a ver», adiantou ontem Ana Paula Martins, depois de se ter reunido com os responsáveis do instituto, em Lisboa.
Segundo referiu, o INEM era uma prioridade quando o atual governo entrou em funções, mas, «por todo ao alarme social que tem causado nos últimos dias», é necessário devolver a confiança à população no sistema.
Questionada se o facto de chamar a si a dependência direta do INEM é o reconhecimento de que a secretária de Estado da Gestão da Saúde ignorou os alertas dos sindicatos sobre os impactos da greve da última semana, a ministra afirmou que a sua decisão «é apenas o reconhecimento» de que o assunto é importante, urgente e prioritário.
Perante isso, «o meu tempo no meu dia-a-dia tem de ser dedicado em mais de 70% a resolver os problemas do INEM», salientou a ministra da Saúde.
Em declarações aos jornalistas após a reunião, Ana Paula Martins reiterou ainda que o INEM tem necessidade de pelo menos 400 técnicos nos próximos meses e que as duas greves que decorreram em simultâneo em 04 de outubro geraram «uma grande incapacidade de resposta e ansiedade».
«Assim que me apercebi desta situação, imediatamente, tomei uma solução em mãos e resolvi o que havia para ser resolvido», disse a governante, ao salientar que o ministério está «absolutamente determinado» em encontrar as soluções que o instituto necessita.
Ana Paula Martins recordou que estão a decorrer inquéritos do Ministério Público e da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS), manifestando o desejo que essas investigações possam trazer resultados o mais breve possível e «mostrar o que é que se passou com as situações adversas».
«A minha tarefa neste momento é garantir que a situação que vivemos noutros anos e que vivemos recentemente não se volta a passar», salientou a ministra da Saúde, ao referir que os médicos do INEM vão ver atualizado o seu valor-hora e que será feita uma extensão da dedicação plena aos clínicos do instituto.
As mortes de 11 pessoas alegadamente associadas a falhas no atendimento do INEM motivaram a abertura de sete inquéritos pelo Ministério Público (MP), um dos quais já arquivado. Há ainda um inquérito em curso da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
A demora na resposta às chamadas de emergência agravou-se durante a greve de uma semana às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar, que reclamam a revisão da carreira e melhores condições salariais.
A greve foi suspensa após a assinatura de um protocolo negocial entre o governo e o sindicato do sector.