Na Herdade do Barranco do Vale, as ovelhas da raça autóctone Churra Algarvia limpam e fertilizam, de forma natural, as vinhas durante o repouso vegetativo.
Em plena Serra do Caldeirão, em São Bartolomeu de Messines, a Herdade Barranco do Vale volta a afirmar o seu compromisso com a terra, a identidade regional e a sustentabilidade, através de uma prática única na região: o uso de ovelhas da espécie autóctone Churra Algarvia para a limpeza e fertilização natural das vinhas durante o período de repouso vegetativo, desde o fim da vindima até à poda.
A herdade conta ainda com várias culturas de sequeiro (sobreiros, alfarrobeiras, oliveiras, amendoeiras e medronheiros), que traduzem uma grande diversidade agrícola adaptada às condições de seca típicas do Algarve.
Este mosaico agrícola, «cuidadosamente preservado, reflete o respeito pelo ecossistema local e reforça o equilíbrio entre produção e natureza», no concelho de Silves.
Esta iniciativa distingue a Herdade Barranco do Vale como o único produtor de vinho no Algarve a integrar esta raça tradicional na gestão ecológica das vinhas.
As ovelhas alimentam-se das ervas espontâneas entre as linhas das videiras, mantendo a cobertura vegetal que ajuda a reter a água no solo, reduzindo o uso de produtos nefastos e preservando a biodiversidade.
Através das suas fezes, é feita a incorporação natural de matéria orgânica, enriquecendo o solo e tornando-o mais resiliente à seca, um exemplo concreto de viticultura regenerativa que devolve à natureza o que dela se retira.
A sustentabilidade estende-se ainda à rega proveniente de charcas construídas na década de 1980, que armazenam a água das chuvas ao longo do ano, assegurando um uso responsável dos recursos hídricos e reduzindo a pegada ambiental da herdade.
«Queremos que cada garrafa da Herdade Barranco do Vale conte uma história de respeito pela terra e pelas raízes do Algarve. A presença das ovelhas Churras Algarvias nas vinhas é uma forma simbólica e prática de preservar o equilíbrio ecológico e valorizar o património genético da nossa região», afirma Ana Chaves, produtora da Herdade Barranco do Vale.
Essa filosofia de respeito pela origem também se reflete nos vinhos, como o Rosé Negra Mole, elaborado a partir da casta autóctone algarvia que estava quase esquecida e que hoje é um dos maiores orgulhos da herdade.
Este vinho, elegante e autêntico, expressa o carácter da região com notas delicadas e uma frescura que nasce do equilíbrio entre o solo, o clima e a vinha meticulosamente cuidada.
A história da Herdade Barranco do Vale é, acima de tudo, uma história de família. O projeto nasceu da vontade de renascer a tradição e honrar as raízes, evocando memórias de gerações passadas.
Nos rótulos dos vinhos, encontram-se cartas escritas ao avô, símbolo da ligação entre o passado e o presente, entre o trabalho da terra e o legado emocional que se transmite em cada colheita.
Na Herdade Barranco do Vale, natureza, família e vinho coexistem em harmonia. Cada prática sustentável, cada garrafa e cada gesto são um tributo ao equilíbrio entre o que somos e o que cultivamos — uma celebração do renascer da tradição algarvia, feita com alma, respeito e autenticidade.

