Disse-nos que é conhecido artisticamente por «Bamby», mas não elaborou porquê. Aos 23 anos, trocou a Alemanha, que «não lhe dizia nada», por um país bonito e quente. Embora fizesse graffiti «desde sempre», começou a sua atividade em Portugal como animador, em hotéis.
Bamby – Vim para aqui, sem ter a mínima noção do que ia fazer, embora possua um curso em design, criar reclamos luminosos e assim. Experimentei a animação, que fiz durante nove anos. Mas ser um profissional a sorrir acaba por saturar e tem enorme desgaste. E nunca pensei estar num hotel ou em animação toda a vida. E então pensei em fazer o que mais gosto: pintar. E as pessoas perguntavam-me: «Mas tu vais fazer graffiti, em Portugal? Achas que consegues viver disso?».
barlavento – Essas reticências por parte dos amigos não o demoveram?
Não, porque eu remo contra a maré, faço o que quero e considero o «não» muito castrante. Inicialmente, foi complicado, mas as pessoas iam vendo os meus trabalhos e passando a palavra e, em maio, vou fazer 10 anos de empresa, a Style Spectrum.
Como se considera, artisticamente? Um artesão?
Eu nem me defino como artista. Gosto do que faço, de estar sempre a modernizar e a ampliar o leque de coisas que produzo, faço coisas com as mãos, mas não me considero um artesão. Sou uma pessoa que cria.
O graffiti era considerado a arte da contestação, ilegal, e agora é encomendado. Como vê essa mudança?
São ciclos. Umas vezes, são requisitados e outras vezes são banidos. A palavra é italiana e significa riscar. A alcunha do MRPP, após a revolução dos cravos, era «Meninos Rabinos Pintam Paredes», porque pintavam murais, embora recorressem, na altura, a pincéis. Geralmente, as pessoas levam 30 anos até reconhecer o valor que aquilo teve na altura. Então, eram perseguidos e hoje considera-se que eram grandes murais.
Mas, além dessas obras em tamanho grande, também o faz em pequena escala, inserida no artesanato?
Comercialmente, pinto quartos de crianças, bares, restaurantes, etc, decorações interiores ou exteriores. Pintei a Casa Manuel Teixeira Gomes, por exemplo. Também faço algo que não sei se posso definir como artesanato. Prefiro chamar-lhe personalizações, ao gosto dos clientes, em t-shirts, bonés e outros utensílios, na hora e à vista, usando o aerógrafo, que é uma pistola com pressão de ar. O nome da empresa indica que percorremos toda a gama de estilos. Neste momento, estamos a fazer esculturas em esferovite, fibra de vidro, betão projetado, etc, que depois pintamos. No próximo verão, poderão ver algumas no Zoomarine.
Consegue-se fazer graffiti em qualquer superfície?
Sim, usando tipos de tinta diferentes. Quando sair daqui, vou pintar uma moto para um fã do Futebol Clube do Porto, com um dragão num side-car.
É um artista polivalente?
Um curioso que gosta de fazer tudo e bem feito.
O futuro? Vai continuar, ou abandonar, como fez com a animação?
Não sei. Como é algo que sempre fiz e de que gosto, não penso abandonar. Mas ninguém sabe o futuro. O que gostaria mesmo era de arranjar tempo para fazer as pinturas de que gosto e não o que os outros me pedem.
Quem desejar ver os trabalhos do Helder José, o Bamby, poderá consultar o seu site:
https://www.facebook.com/pages/STYLE-SPECTRUM/194774850580597