A experiência dos convidados do IV Fórum Empresarial do Algarve 2015 (FEA 2015) leva-os a concluir que para exportar há que saber o que o mercado recetor está à procura, além de ser essencial fazer uma boa preparação para entrar bem em qualquer mercado externo. “Novos mercados, que oportunidades” foi o tema do segundo painel da manhã do FEA 2015, que reuniu à mesma mesa Raul Silva, chairman do Royal Capital Group, José Manuel Fernandes, presidente da Frezite, José Honório, gestor e ex-presidente executivo da Portucel, e Hiroki Miyazato, chairman do Haitong Bank, moderados por Vitor Ribeirinho, head of audit da KPMG.
Vitor Ribeirinho lançou o mote da conversa, destacando que «o nosso país precisa de crescer, e crescer fora de Portugal». Raul Silva destacou as oportunidades do Médio Oriente, nomeadamente dos Emirados Árabes Unidos, onde esta radicado há dez anos: além da estratégia do país ser clara e do conhecimento de toda a população – ser a plataforma de negócios entre África e Ásia e Europa e Ásia – há uma atrativa política fiscal. «É um bom mercado se as empresas souberem avaliar os que os países querem, além disso tem a capacidade de atrair quadros com perfil diversificado». É um país onde é possível encontrar parceiros de negócios, e onde há uma mentalidade de que um negócio é uma relação de dar e receber, explicou.
Hiroki Miyazato falou da estratégia assumida pelo Haitong Bank, que se propõe em ligar o Oriente ao Ocidente, e «está a trabalhar para ser uma ponte, para apoiar o investimento entre China e Portugal, em facilitar as relações entre as empresas portuguesas e os investidores chineses».
Segundo o responsável abrem-se hoje, 600 anos depois do primeiro contacto, novas oportunidades de investimento estratégico entre a China e Portugal, pelo «ambiente mais amigável ao investimento». «Lisboa está no centro da europa é uma plataforma importantíssima de ligação à europa, à África, à América do Norte e à América Latina», defendeu, destacando que há de facto interesse de investidores da China, Japão e Singapura no nosso país, que é «um mercado importantíssimo».
Depois da aquisição do BESI, a estratégia está traçada: «o Haitong Bank quer ser o principal player nos mercados de capitais na Europa nos próximos anos». «O Haitong Bank vai continuar o esforço de trazer capital para Portugal, estamos a trabalhar para promover Portugal na China e a trabalhar para apoiar a economia, as empresas, em ter mais veículos para viabilizar projetos, nomeadamente atividades alem fronteiras».
O responsável mostrou-se surpreendido com o tratamento amigável dos portugueses, e da forma como o inglês está enraizado no mundo dos negócios, tornando se num elemento facilitador. Quanto ao sentido inverso, ao investimento dos portugueses no Oriente, Miyazato adiantou que a China e a Índia são bons sítios para investir, e que o governo chinês tem políticas apelativas ao investimento estrangeiro. «Precisamos de mercados mais abertos e flexíveis, e há que criar esse tipo de ambiente», para criar condições para o investimento mútuo.
Todos os convidados concordaram que, além de se saber o que se tem para vender e de se conhecer o que os mercados externos procuram, há que garantir a diversificação de mercados, não dependendo apenas de um, ainda que além-fronteiras. «Há que pulverizar mercados», defendeu José Manuel Fernandes, «concentrar num só mercado fragiliza, há que ter uma estratégia inovadora para poder ter diferenciação. Empresas sem diferenciação não têm resistência bem estabilidade». «Temos de aproveitar a fácil adaptação do povo português ao convívio com outros povos, essa é uma vantagem de que temos de tirar partido», reforçou.
José Honório destacou a importância do FEA para motivar as empresas e para discutir questões de fundo. Falando do papel do Estado, Honório realçou que não vale a pena as empresas terem expectativas muito altas na reforma do Estado, e traçou um quadro da realidade do tecido empresarial português, onde poucas dão o salto para a internacionalização, e menos ainda são as que fazem dos mercados externos o seu consumidor principal. No que toca às limitações à exportação, Honório destacou a necessidade de melhores condições para as empresas, uma vez que «o papel do Estado é facilitar a vida aos empresários, que há que simplificar».
José Manuel Fernandes defendeu que há que reforçar a imagem de Portugal lá fora, para que se perceba que há um tecido produtivo sustentável e forte, que responde à altura à crise e ao desafio. «Há que criar a cultura de ter um rumo, uma estratégia bem definida, o desafio de hoje é pegar no potencial e dar lhe um rumo, uma visão global – temos de ser um povo universal também nos negócios». «Tem de haver estratégias também na governação, e depois fazer essa transferência para as empresas, para a economia real»
O IV Fórum Empresarial do Algarve decorre este fim-de-semana, de 27 a 29 de novembro, em Vilamoura, com a presença de governantes, decisores, empresários, etc., dos principais setores da economia nacional. Sob o tema «2020, Portugal e o Mundo». A tarde de hoje, sábado, 28 de novembro, será dedicada ao tema «Financiamento para o crescimento» e à entrega dos prémios Welcome to Portugal. A proposta do FEA 2015, organizado pelo LIDE Portugal – Grupo de Líderes Empresariais, passa pelo debate do futuro do país face à instabilidade política atual, bem como das condicionantes económicas e sociais que o mundo atravessa, em particular a Europa.