Na aldeia da Cortelha, no interior do concelho de Loulé, o fogo do Madeiro, tradição natalícia antiga do Algarve, será aceso no domingo, 21 de dezembro.
Na aldeia da Cortelha, no concelho de Loulé, o Natal continua a ser vivido em torno do fogo do Madeiro, um ritual antigo que atravessa gerações e mantém viva uma das tradições mais antigas do interior algarvio.
Mais do que um momento festivo, o acender do Madeiro integra um costume ancestral ligado às fogueiras natalícias, comuns a várias regiões do país, onde o fogo simboliza luz, calor e proteção durante o período mais escuro do ano. Antes da eletricidade e do aquecimento moderno, era em redor da fogueira que a comunidade se reunia, partilhava histórias e reforçava laços.
Na Cortelha, esta tradição conserva um carácter profundamente comunitário. O acender do Madeiro acontece no domingo, dia 21 de dezembro, às 15h00, no largo da associação da aldeia, numa celebração aberta a habitantes e visitantes. Um gesto simples que, segundo a organização, ganha significado coletivo. O fogo torna-se o centro do convívio, acompanhado por chouriça assada, música tradicional e pela partilha espontânea de histórias.
Ao contrário de muitas recriações natalícias mais formatadas, o Madeiro da Cortelha mantém uma dimensão autêntica e informal. Não há palco nem espetáculo organizado. Há músicos da terra, harmónicas que se fazem ouvir junto à fogueira e um ambiente onde o tempo abranda, convidando à permanência.
À semelhança do que acontecia antigamente, o Madeiro permanece aceso durante todo o ciclo natalício, até ao Dia de Reis, junto ao Presépio em Cortiça da Cortelha, numa simbologia associada a «aquecer o Menino Jesus» e a prolongar o espírito de união para lá da noite de Natal, a 6 de janeiro de 2026.
Nos últimos anos, este ritual tem atraído também visitantes que sobem ao interior para conhecer as tradições do Natal do Algarve. Para a organização, esse interesse não altera a essência do Madeiro, antes reforça o seu valor enquanto património imaterial vivo, construído pela comunidade e para a comunidade.
A iniciativa é promovida pela Associação dos Amigos da Cortelha, que vê na preservação destas tradições uma forma de afirmar a identidade do interior algarvio e de manter o fogo simbólico aceso, ano após ano.
