A 11.ª edição do Festival Verão Azul arranca hoje em Lagos com mais de 20 propostas sobre relação do som com o corpo e o espaço. Depois, segue para Loulé.
A 11.ª edição do Festival Verão Azul arranca esta quinta-feira, dia 6 de abril, em Lagos, sob a direcção artística da dupla Ana Borralho & João Galante, este ano coadjuvados por Daniel Matos na curadoria.
Até domingo, o festival de artes contemporâneas apresenta nesta cidade algarvia um conjunto de propostas transdisciplinares, como o espetáculo ousado e político das Sh!t Theatre, a estreia em Portugal da pop electrónica de Tami T, o concerto imersivo de Félicia Atkinson ou o diálogo entre a voz e o piano pela coreógrafa Tânia Carvalho, numa programação que se foca no som como elemento unificador da coexistência e coabitação artística.

Na semana que vem, o Verão Azul mantém-se no Algarve e aterra em Loulé (13 a 16 de abril).
Começa amanhã, em Lagos, a 11.ª edição do Verão Azul – Festival Transdisciplinar de Artes Contemporâneas, com mais de 20 propostas que têm por base o som na sua relação com o corpo e com o espaço.
Pensada pelos diretores artísticos Ana Borralho & João Galante, e pelo cocurador lacobrigense Daniel Matos, a programação deste ano, que se estende por diversas linguagens, como as artes visuais, a música, a performance, a dança e a poesia, centra-se «numa zona de procura pelo intermédio, onde se continua a aprender a ser uma minoria da maior forma possível».
Esta quinta-feira, dia 6 de abril, depois do workshop & lab Repairing the Irreparable: Modus Operandi AND, conduzido por Fernanda Eugénio e Ana Dinger, e do Grupo de Crítica, com uma conversa moderada por João dos Santos Martins, ambos destinados a estudantes Erasmus, todos os caminhos apontam para o Centro Cultural de Lagos, onde tem lugar, às 17h30, a vernissage da exposição coletiva NO, FUTURE, NO CRY.
A mostra traduz o vocabulário do festival enquanto portal para a «redescoberta de realidades imersivas e inovadoras sobre estar e ser num mundo cada vez mais veloz, mais refractado», através de obras de David OReilly, Weisstub, Rui Palma, Fernando J. Ribeiro e Static Drama, entre a escultura e a obra digital.
No mesmo espaço, pelas 18h30, João Felgueira na pele de Joninator protagoniza a performance «Screen-Inator», num momento de interação com o público, e, às 21h00, as lendas da performance anárquica, Rebecca Biscuit e Louise Mothersole, que é como quem diz Sh!t Theatre, chegam do Reino Unido para «Drink Rum With Expats» em formato espetáculo apoteótico com crowdsurfing à mistura.
A estreia nacional da sueca radicada em Berlim Tami T (22h30), que promete espalhar glitter cor de rosa pela plateia e pela pista de dança com a sua pop electrónica e instrumentos DIY, e o DJ set da artista multidisciplinar Odete (23h30) encerram a primeira noite do festival, no LAC – Laboratório de Actividades Criativas.

No dia seguinte, a partir das 16h30, a sessão de escuta «Sombra de Vento», pelo artista e compositor João Polido, que sucede ao lançamento do novo número da publicação semestral «Coreia», de João dos Santos Martins, e a exibição do filme «Headshot», de Antonia Buresi e Lola Quivoron, rodado durante uma performance de Ana Borralho & João Galante, preenchem o Clube Artístico Lacobrigense.

Ainda a 7 de abril, e de regresso ao LAC, abre-se espaço para as descargas eléctricas da banda local VIL (23h00), que representa o metal do Algarve, e dos Hetta, que descem à região com um set entre o caos e a urgência do mathcore, do screamo e do noise.
O sábado à tarde mostra o aclamado documentário «Sisters with Transistors», de Lisa Rovner (17h30), que conta a história notável das mulheres pioneiras da música electrónica, no Clube Artístico Lacobrigense.

À noite, no Centro Cultural de Lagos, oportunidade de ouro para assistir e conhecer dois espectáculos singulares: a apresentação de «Image Langage» (2022), o último e aplaudido trabalho da compositora e artista visual electro-acústica francesa Félicia Atkinson (21h00), e «Madmud», uma proposta musical e poética da coreógrafa Tânia Carvalho (22h30), que, através da voz e do piano, sublinha a sua vontade em não se esgotar numa só linguagem.
De seguida, a partir da meia-noite, rumo ao LAC para o concerto de Xexa, a artista afrofuturista cuja sonoridade é uma assemblage de ritmos tradicionais africanos com sintetizadores, desenho de som e vocalização.
Cabe à ponta de lança da editora e colectivo artístico Príncipe Discos, a produtora afro-portuguesa Nídia, continuar a definir o futuro da música electrónica na pista de dança.

Em Lagos, a 11.ª edição do Festival Verão Azul partilha ainda uma masterclass por Ana Borralho & João Galante, integrada no projeto de Erasmus+, no dia 9, no Espaço Jovem/ Escola de Dança de Lagos.
Na semana seguinte, entre os dias 13 e 16 de abril, o Verão Azul ocupa Loulé com mais um combo de propostas artísticas distintas e transgressoras.
Além dos concertos de Tânia Carvalho, VIL e Hetta, do clubbing de Nídia ou da exposição colectiva NO, FUTURE, NO CRY, já conhecidos, destacam-se a sessão de slam poetry Wham, Slam, Poetic Jam, que desafia a comunidade local de artistas/poetas/diseurs, o espectáculo-manifesto «Hip: A Pussy Point of View», da bailarina e coreógrafa Piny, ou «Echos From a Liquid Memory – Prototype Version», uma peça que funde a composição musical e visual num processo de manipulação digital com intervenção de água, por Carincur.
De 6 a 16 de abril, em Lagos e em Loulé, a 11.ª edição do Festival Verão Azul habita a região algarvia e antecipa a época estival com o mundo infinito de possibilidades e cruzamentos da criação em arte contemporânea.

Produzido pela associação cultural casaBranca, o Verão Azul tem financiamento da DG Artes, contando com co-produção da Câmara Municipal de Lagos e Cine-Teatro Louletano – Câmara Municipal de Loulé. O Teatro do Bairro Alto EGEAC CML apoia a apresentação das Sh!t Theatre.
O programa completo pode ser consultado aqui.
Sobre o Festival Verão Azul
A primeira edição realizou-se em 2011 durante quatro dias, em Lagos, com uma programação essencialmente nacional. Sempre com direcção artística de Ana Boralho e João Galante, desde então, o festival estendeu-se também ao sotavento algarvio. Afirmando-se como um evento de características únicas na região, tem apresentado de forma continuada projectos de teatro, dança, performance, música, cinema e artes visuais, conciliando obras de artistas nacionais e estrangeiros, com um percurso já firmado e reconhecido, com projectos de jovens criadores de carácter mais experimental.
Em 2018, abriu um novo ciclo e passou a festival bienal. Nos seus anos intercalares, dedica-se a trabalhar, juntamente com artistas convidados, a sua intenção artística de descentralização e aprofundamento de relações com os contextos, as comunidades e o tecido artístico locais, promovendo residências de criação, laboratórios de pesquisa e co-produções, cujos resultados serão apresentados em cada edição do festival.


