Programa do Festival de Caminhadas do Ameixial inclui Jornadas Técnicas sobre «Valorização e Recuperação de Caminhos Antigos».
No âmbito da 9ª edição do Festival de Caminhadas do Ameixial vão-se promover as Jornadas Técnicas sobre «Valorização e Recuperação de Caminhos Antigos», na quinta-feira, dia 21 de abril, às 17 horas, no Espaço Sul, Sol e Sal – Casa do Meio Dia, em Loulé.
Os trabalhos vão refletir sobre a recuperação de caminhos antigos, processo que tem tido fortes desenvolvimentos noutros destinos, como Espanha, país onde várias organizações têm trabalhado afincadamente no seu inventário, recuperação e preservação.
O interesse inerente aos caminhos antigos reflete-se em diversos aspectos. Por um lado, é o de preservar um valor patrimonial da região que remonta, em inúmeros casos, a um passado longínquo com milhares de anos.
A ligação entre povoações sempre foi e é um dos elementos estruturantes na paisagem moldada pelo homem, soluções como caminhos de pé posto, veredas, carreiros de bestas, atalhos, calçadas, poldras, pontes, estradas «carroçáveis», estradas macadamizadas e vias alcatroadas são ainda hoje essenciais.
Por outro, muitos destes caminhos são obras artesanais, testemunhos de técnicas hoje quase em extinção cujo valor imaterial importa preservar, como calçadas, muros e valados.
Outro aspecto a considerar é que se tratam de caminhos públicos – aspecto muito pertinente numa região cuja propriedade dos caminhos é por vezes questionada.
Estas vias também apresentam um imenso potencial para a pratica de caminhadas, atividades pedagógicas e de observação da natureza, pois estão intrinsecamente ligados aos aglomerados urbanos e estão plenamente enquadrados na paisagem, muitos até foram entretanto resgatados pela natureza com frondosas galerias ripícolas.
Assim, no fundo, são um valioso recurso que pode ser aproveitado para impulsionar numerosas atividades, sejam elas turísticas, educativas, lazer e e bem-estar.
Porém, estes caminhos estão em rápido declínio. Da enorme rede que o Algarve ainda guarda, especialmente na zona do Barrocal, muitos estão abandonados, obstruídos por densa vegetação, com valados desmoronados e destruídos até.
Está por elaborar um inventário dos mesmos, uma avaliação do seu valor e estado de conservação, e é necessário elaborar uma estratégia para o futuro. Importa, por isso, pensar em os conhecer para os poder proteger.
Para estas jornadas de trabalho, a organização convidou investigadores e técnicos do Instituto catalão de Desenvolvimento e Promoção do Alto Pirenéus (IDAPA) que tem um trabalho robusto e amplo em torno da recuperação de caminhos antigos e na sua valorização naquela região espanhola.
O evento conta ainda com o contributo do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora (CIDEHUS) que procedeu a uma investigação sobre a documentação histórica do Arquivo Municipal de Loulé, e também será partilhada a visão da experiência obtida pelo Gabinete Técnico de Apoio às Aldeias do Algarve (GTAA).
Pretende-se assim discutir e debater este tema, em torno do qual se pretende alavancar futuras iniciativas para a salvaguarda e conservação destes caminhos ancestrais.
O Festival de Caminhadas de Ameixial realiza-se entre os dias 21 e 25 de abril nesta freguesia da serra do Algarve.
As inscrições estão abertas e todos os interessados poderão inscrever-se online.
À semelhança do que tem acontecido nas edições anteriores do Festival, estas jornadas técnicas pretendem promover um debate e reflexão em torno de um tema considerado relevante para a dinamização sustentável do interior algarvio: a valorização do seu património cultural e a promoção de atividades turísticas na natureza.
O 9º Festival de Caminhadas de Ameixial é uma iniciativa da Câmara Municipal de Loulé e da Cooperativa para o Desenvolvimento dos Territórios de Baixa Densidade (QRER), com organização da Proactivetur e do Projecto ESTELA.
Integrado nas iniciativas do Geoparque Algarvensis, tem ainda o apoio da Região de Turismo do Algarve, da Junta de Freguesia de Ameixial, da Visacar, da ANA aeroportos, da Direção Geral do Património Cultural, do Museu Municipal de Loulé e do Espaço Sul, Sol e Sal – Casa do Meio Dia.
