António Feu, último sócio-fundador do Clube Naval de Portimão, morreu aos 89 anos e deixou um legado marcante no desporto, no associativismo e na vida cívica da cidade.
O Clube Naval de Portimão lamentou hoje o falecimento de António de Magalhães Barros Feu, último sócio-fundador da instituição. Tinha 89 anos.
- Desportista completo e um líder da cidade
- Infância marcada pelo desporto
- Regresso a Portimão e ligação à indústria local
- Basquetebol: formação, campeões e legado
- Campeão de motonáutica e fundador de uma federação
- Dirigente associativo e líder do Clube Naval de Portimão
- Intervenção cívica e cultural
- Um legado que atravessa gerações
A direção destaca a sua dedicação ao desenvolvimento do clube, recordando que António Feu presidiu à direção entre 1977 e 1982, período marcado por crescimento, organização interna e dinamização das atividades náuticas. O clube sublinha a «paixão pelo mar», o «espírito associativo» e o «exemplo» que deixa às gerações que seguiram o seu trabalho.
Desportista completo e um líder da cidade
António de Magalhães Barros Feu nasceu em Portimão e tornou-se uma das figuras mais marcantes da vida desportiva, associativa e industrial da cidade. Foi campeão nacional em três modalidades, dirigente desportivo, líder empresarial e um dos nomes que moldaram o Clube Naval de Portimão desde a sua fundação.
Infância marcada pelo desporto
Entrou num colégio-internato aos 10 anos. Ali descobriu o gosto pelo desporto e integrou equipas de hóquei em patins, andebol, basquetebol, voleibol e ténis de mesa. Era baixo para basquetebol, pouco mais de 1,72 metros, mas surpreendeu pela capacidade de adaptação e pela leitura de jogo. Aos 15 anos, integrou a equipa júnior do Sporting Clube de Portugal.
Da infância e juventude ficou o hábito de treinar e competir em várias modalidades ao mesmo tempo. A versatilidade e a disciplina formaram a base de tudo o que fez mais tarde no Algarve.
Regresso a Portimão e ligação à indústria local
Com o fim do serviço militar regressou à cidade natal para se envolver na empresa da família. O setor conserveiro e o trabalho nos estaleiros marcaram grande parte da sua vida profissional. Era respeitado pela capacidade de organização e pela visão para o desenvolvimento industrial em Portimão.
Essa ligação ao tecido económico local permitiu-lhe conhecer bem a cidade e as suas necessidades. Mais tarde, essa proximidade ajudou-o a reforçar a intervenção do Clube Naval de Portimão na comunidade.
Basquetebol: formação, campeões e legado
Com o apoio do professor Mário Lemos, criou em Portimão uma escola de mini-basquetebol num período em que a modalidade ainda tinha pouca expressão na região. Dali saíram equipas masculinas e femininas campeãs regionais e uma geração de jovens atletas com formação sólida.
Foi formador, treinador e jogador sénior. Ficou conhecido pela capacidade de ensinar fundamentos, pela exigência e pela dedicação aos mais novos. Quem passou por ele recorda um treinador rigoroso, mas justo, sempre atento ao crescimento pessoal dos atletas.
Campeão de motonáutica e fundador de uma federação
A paixão pelo mar levou-o à motonáutica. Foi um dos fundadores da Federação Portuguesa de Motonáutica e competiu entre 1964 e 1974. Conquistou vários títulos nacionais e tornou-se uma referência da modalidade.
O casco com que venceu o seu primeiro campeonato foi construído no estaleiro da empresa familiar. O facto mostra como conciliava industria e desporto, criando soluções dentro da própria casa. António Feu era descrito como meticuloso, determinado e destemido ao volante das embarcações.
Dirigente associativo e líder do Clube Naval de Portimão
Foi sócio fundador do Clube Naval de Portimão e mais tarde presidente da direção, entre 1977 e 1982. Aquele período ficou associado à reorganização estrutural do clube, ao reforço das atividades náuticas e à valorização dos praticantes locais.
Tinha visão estratégica e acreditava que o mar podia ser mais do que uma paisagem. Via nele cultura, economia, educação e ligação social. Defendeu sempre que Portimão precisava de estruturas fortes de formação náutica.
Intervenção cívica e cultural
O seu contributo não se limitou ao desporto. Participou em iniciativas da cidade, esteve ligado a movimentos sociais, manteve presença em várias associações e foi reconhecido como Confrade de Honra da Confraria Gastronómica da Sardinha. A distinção valorizou a sua ligação à história da pesca, da indústria conserveira e da identidade de Portimão.
Fez parte do Conselho Leonino do Sporting Clube de Portugal e foi convidado para colaborar na secção de formação da modalidade de basquetebol.
Um legado que atravessa gerações
António Feu foi recordado como um homem exigente, apaixonado pelo desporto e profundamente ligado à cidade. A paixão pelo mar, o espírito associativo, a capacidade de liderar e o compromisso com Portimão criaram um legado que atravessa várias gerações.
O seu contributo formou atletas, dirigentes e cidadãos. Ajudou a moldar instituições, consolidou práticas desportivas e reforçou a ligação da cidade ao mar. É essa memória que permanece agora viva no Clube Naval de Portimão e na comunidade que o viu nascer e crescer.