A escrita do Sudoeste é a voz que nos aproxima dos pensamentos e modos de vida do passado, um dos mistérios e um dos maiores tesouros da arqueologia europeia, uma realidade arqueológica de cariz excecional, uma imagem de marca da serra que divide o Alentejo e o Algarve e um símbolo privilegiado da herança histórica da região. Ela é, afinal, a primeira manifestação, bem caracterizada, de escrita da Península Ibérica e uma das mais antigas da Europa e que está, ainda hoje, por decifrar. A exposição está concebida para mostrar como este fenómeno resulta de um processo histórico e patrimonial e vai interagir com o espaço público. Localizada na entrada do Museu Nacional de Arqueologia, após mais de dois séculos de investigação sobre o tema, a exposição apresenta conteúdos escritos devidamente ilustrados e está organizada para dar a conhecer este período, a escrita do Sudoeste, onde habitavam e como viviam e morriam essas comunidades, os investigadores, os conjuntos de estelas conhecidos em Loulé e a importância do Museu Nacional de Arqueologia na preservação e investigação destes materiais arqueológicos. Os conteúdos são sucintos e concentrados na transmissão das ideias principais, num discurso contemporâneo e criativo que satisfaz mais do que um tipo de visitante, ou seja, é transversal nas faixas etárias, no nível de conhecimento e nos graus de interesse. Assegurou-se ainda que a exposição não tem constrangimentos de acessos e horário, proporcionando ao visitante uma curta duração no tempo de visita. Refira-se ainda que esta é bilingue (português e inglês), permitindo uma compreensão dos conteúdos por visitantes além-fronteiras. No âmbito da inauguração desta exposição também haverá uma evocação dos 35 anos da exposição “A I Idade do Ferro no Sul de Portugal: Epigrafia e cultura”, inaugurada em 1980 neste Museu. Exposição que, por um lado, reuniu o maior conjunto de estelas e as relacionava com os sítios arqueológicos, tendo servido de base a importantes estudos sobre os problemas e o sistema desta escrita. E por outro, apresentou alguns dos objetos mais emblemáticos ligados à investigação sobre a escrita do Sudoeste e à Idade do Ferro que se encontram depositados no Museu Nacional de Arqueologia. Ainda neste âmbito haverá lugar a uma abordagem contemporânea do tema pelos artistas plásticos El Menau e Ângela Menezes através da apresentação de uma pintura mural sobre o tema. Esta última irá também revelar uma instalação contemporânea no espaço contíguo à exposição. Durante os meses de exibição da exposição haverá lugar a um extenso planto de atividades onde se incluem a apresentação da exposição no Programa “Encontros com o Património” da estação de rádio TSF, a apresentação de um documentário sobre a evolução que houve sobre o tema, um concurso literário, um ciclo de debate cientifico sobre o tema, a apresentação de uma estela com escrita do Sudoeste, visitas guiadas, regulares e diversificadas atividades infanto-juvenis e muitas outras.