A cerimónia na manhã solarenga serviu para descerrar duas placas originais da década de 1940, no cruzamento da Rua do Alportel com a Rua Aboim Ascensão, nas quais estão agora embutidas as armas de Faro e Chaves, cidades unidas há 71 anos pela EN2.
António Ramalho, presidente da Infraestruturas de Portugal, começou por lembrar que «esta é uma estrada histórica, que junta a Estrada Real 5, 7, 8 e 17 e que em 1945 deu origem, no primeiro Plano Rodoviário Nacional à EN2. Tem a particularidade de não ser uma via litoral, nem raiana. Corta o país pelo centro, ao meio, e por isso gera uma oportunidade única para uma rota turística».
«É a maior estrada histórica da Europa. No fundo, só comparável com a Route 66 dos EUA ou com a Route 40 da Argentina. Apenas 20 por cento é municipal, o resto é da responsabilidade do Estado, o que nos coloca perante uma responsabilidade acrescida», considerou António Ramalho, que se deslocou a Faro para sublinhar o seu apoio institucional.
«Este projeto há mais de um ano nos andava na cabeça. Houve um conjunto de municípios que pegaram nesta ideia. E neste momento é Santa Marta de Penaguião que lidera o processo», revelou Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro. O seu homólogo de Chaves, António Cabeleira, acrescentou que «está em vias de ser constituída a associação de municípios da EN2. A partir daí serão feitos os percursos e o roteiro turístico» para mostrar «toda a extraordinária diversidade de paisagens, usos e costumes e gastronomia» que esta via oferece.
«Um dos objetivos da associação é podermos concorrer a fundos comunitários e a financiamento para ações de divulgação a desenvolver em conjunto pelos municípios» da EN2.
Aproveitando a presença de José Amaro, presidente do Motoclube de Faro, Bacalhau lançou a ideia de «fazer o percurso de mota, daqui até Chaves, em setembro», com António Cabeleira a revelar que já existe um grupo de ciclo-turistas flavienses dispostos a pedalar rumo a sul. «Quem fizer esta estrada pode sempre terminar em banhos. Seja nas praias do Algarve, seja nas excelente termas de Chaves», disse.
Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé manifestou satisfação em associar-se ao projeto. «Trabalhar sobre uma rodovia que atravessa um país inteiro, acho que é um projeto diferenciador que pode trazer, para a esfera do turismo, municípios que têm os problemas do interior e alguma falta de atividade económica. A EN2 é um recurso à mão. Loulé estará disponível para dar um contributo».
A ideia já está a sair do papel, conforme sublinhou o autarca sambrasense Vítor Guerreiro. «Adquirimos um edifício ao Estado, há cerca de um ano, que pertencia à antiga Junta Autónoma de Estradas. Era uma casa de cantoneiros», no Largo de São Sebastião. «Vamos agora fazer obras para criar um centro de interpretação da EN2, que espero que seja uma realidade em pouco tempo», em parceria com a Infraestruturas de Portugal. «Queremos levar os turistas a perceberem como se fazia a manutenção antigamente, como cresceu a vila e um pouco da história desta estrada. Há fotografias e imagens interessantíssimas».
No entanto, o autarca de São Brás de Alportel disse ao «barlavento» que no troço da EN2 «a sul, estamos a tentar sensibilizar o governo para que faça investimentos na melhoria deste traçado. Pretendemos que seja retificado, pois tem 71 anos, com nove quilómetros de curvas muito sinuosas que não se coaduna com os dias de hoje», e é o principal acesso à vila. «É importante que se faça um investimento. Somos o único concelho que não tem uma ligação condigna à Via do Infante», lamentou. Aliás, o autarca flaviense disse que a nova rota da EN2 «também vai permitir chamar a atenção do governo, de como os territórios são tratados de forma desigual».
Questionado sobre prazos, António Ramalho revelou que «primeiro vamos criar, com os municípios, uma sinalética própria» e um inventário «daquilo que cada município tem para dar» em termos turísticos. «Tal como a EN2 é para fazer de modo slow, também este vai ser um longo trabalho», possivelmente, à mesma velocidade.