O projeto «É tão grande o Alentejo» nasceu devido ao fascínio e a vontade da fotógrafa Tânia Pinto, de explorar o vasto mundo das ruínas que estão entregues a voragem do tempo.
«O Alentejo é apenas uma singular região de Portugal que espelha um universo de casas em ruínas. Associado a um sentimento de tristeza, este cenário pode ser, contudo, um objeto fotográfico extremamente apelativo/belo ao nível das formas arquitetônicas e das cores. Também, por natureza própria, as ruínas tem uma particularidade que lhe é indissociável: uma aura de mistério. Esta aura própria permite nos contemplar para além do visível, possibilita nos deslumbrar imagens mentais e construir histórias imaginárias sobre o que se passou no seu interior. Quem as habitou? Que razões motivaram o seu abandono? São questões que ficam em aberto», explica.
O projeto pretende «firmar que as ruínas que se encontram espalhadas pela freguesia de Ourique, podem ser observadas, não como uma agressão à paisagem natural mas, pelo contrário, de forma integrada no meio ambiente. Pretende também evidenciar a relevância destes imóveis na identidade dos lugares da freguesia de Ourique e expor o seu real estado de conservação. Como todos os dias surgem mais e mais casas abandonadas, e por consequência ruínas, este projeto está em permanente construção deixando assim em aberto a possibilidade de se expandir no futuro a nível do conselho ou até mesmo por toda a região do Alentejo».
Tânia Pinto, natural de Ourique (Alentejo) e fotógrafa de profissão. Sou licenciada em Fotografia e Cultura Visual pelo IADE. A mostra ficará patente até 31 de agosto na Biblioteca Municipal de Ourique.