Carolina, 9 anos, e Beatriz, 7 anos, filhas da cavaleira Ana Isabel Bota, são, respectivamente, as novas campeã e vice-campeã do Algarve na categoria de dressage. A mais velha conseguiu a nota máxima (10) em apresentação, enquanto a Bia alcançou os 9 pontos, resultado obtido no total das seis provas do campeonato regional. A final teve lugar no Clube Hípico de Vilamoura, no fim de semana de 12 e 13 de setembro.
A avó e matriarca do clã, Teresa Bota, atribuiu a postura das netas na sela – que já a filha demonstrava – à prática de ballet. Mas ambas preferem os saltos à dressage.
A curiosidade consiste no facto de os cavaleiros profissionais optarem por saltos ou dressage e apenas os melhores conseguirem ser bons em ambas. São os concorrentes aos concursos completos de equitação (CCE).
A Carolina é tão perfecionista que, quando lhe colocam a comida no prato, cada ingrediente deverá estar separado dos restantes. Nem a couve se pode misturar com as cenouras, porque «os sabores devem ser apreciados individualmente». E é assim na equitação, buscando a perfeição no salto, na postura, no todo.
A Beatriz quer mais e mais. Deixem-na à vontade com o seu cavalo. Se os outros fazem, ela quer fazer, mesmo que tenha metade do corpo e da idade. Não gosta de perder, nem a feijões, tendo chorado de frustração, numa prova em Vilamoura, por ficar em quarto lugar, fora do pódio.
Mas ambas sonham com o momento em que a idade lhes permita participar em provas de técnicas rendonnée equestre de competição (TREC), a modalidade da equitação que mais aproxima os concorrentes da natureza. Consiste numa prova de resistência e orientação, com distâncias variadas num limite máximo de 50 quilómetros, e às provas de medição de andamento e de transposição de obstáculos e domínio da montada. Usando e adaptando as características do terreno à competição, recriam-se situações possíveis de encontrar na natureza.
Para entendermos este desempenho e motivação destas duas crianças de tenra idade, falámos com a mãe, Ana Isabel Bota, que trocou os saltos de obstáculos pelo TREC, fazendo parte da equipa nacional nos Campeonatos do Mundo. Foi homenageada com o Prémio Ouro pela Câmara Municipal de Portimão, em 2008, pelo seu desempenho. De notar que a equipa nacional de séniores no campeonato do mundo de TREC, em 2008, em França, era composta por quatro cavaleiros do Centro Hípico Santa Isabel, pertença da família e viveiro de cavaleiros de competição, na zona de Portimão. Em 2010, abandonou a competição para se formar em medicina veterinária, mas está a pensar regressar e desenvolver a modalidade no Algarve. Tudo depende do tempo que a profissão lhe deixe livre.
barlavento – Como surgiram os cavalos na tua vida?
Ana Isabel Bota – Desde pequena que tive uma grande paixão por cavalos, herança genética por parte da minha mãe. Comecei aos três anos e depois comecei a querer fazer mais e mais, o que me levou a entrar em competições.
Mas também acabou por ser criado um centro hípico onde outros podiam aprender e onde foram formados alguns campeões?
Exatamente. Foi por achar que outras pessoas com a mesma paixão podiam ter a mesma oportunidade de ir mais além.
E como surge esta apetência por parte das tuas filhas?
Surgiu naturalmente. Nunca foram empurradas. Elas é que começaram a pedir para montar, pouco a pouco foram aprendendo e foram elas também que pediram para competir.
Contudo, viver num centro hípico, onde os cavalos são uma presença constante, a ver crianças e adolescentes montar diariamente e a competir, deverá ter tido uma boa dose de influência?
Não digo que não. Contudo, o irmão mais velho vive no mesmo ambiente, aprendeu a montar, mas não tem interesse na modalidade como praticante. É necessário algo mais, principalmente o querer e o espírito de sacrifício que está na base do sucesso.