Alimentar a população mundial respeitando os limites do planeta, em termos de emissões de gases com efeito de estufa, é possível e sem quebras nutricionais, lembra a associação ANP/WWF no Dia Mundial da Terra.
Na data dedicada ao planeta, também chamada Dia Internacional da Mãe Terra, a organização Associação Natureza Portugal, parceira em Portugal da internacional World Wide Fund for Nature, ANP/WWF, apresenta um Plano Semanal para uma Alimentação Saudável e Sustentável, que mostra as porções e o tipo de alimentos que devem compor uma agenda semanal para uma família de quatro pessoas – mulher, homem, adolescente e criança – contemplando as necessidades nutricionais de qualquer tipologia familiar.
A organização pretende ajudar as pessoas a fazer uma transição alimentar consciente, com impacto positivo na redução dos atuais efeitos nefastos da produção agrícola e piscícola, na diminuição do desperdício alimentar e na adoção de dietas mais saudáveis e sustentáveis.
O plano, elaborado em colaboração com a Associação Portuguesa de Nutrição mostra que o que se come «não afeta apenas a saúde das pessoas mas também a saúde do planeta».
Ângela Morgado, diretora-executiva da ANP/WWF, afirma citada num comunicado sobre a efeméride que «a atual produção alimentar tem impactos enormes nos ecossistemas, nomeadamente ao nível da perda da biodiversidade, e um dos maiores desafios que enfrentamos é a transição para um sistema mais sustentável e que garanta um futuro em termos de segurança alimentar».
«A forma como produzimos e consumimos alimentos está a colocar-nos numa emergência mundial, tanto na natureza como na nossa saúde», diz a ANP/WWF, salientando que a produção alimentar contribui para cerca de 26 por cento das emissões globais de gases com efeito de estufa, e que é a maior consumidora e poluidora dos recursos hídricos do mundo, prejudicial para lagos, rios e oceanos.
De acordo com o último Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF, 2015 a 2016), a população portuguesa consome em média mais alimentos de origem animal (lacticínios, carne, pescado e ovos) e menos fruta e hortícolas do que o recomendado pela Roda da Alimentação Mediterrânica.
Este consumo excessivo de alimentos de origem animal é o terceiro principal fator de risco que mais contribui para o total de anos de vida saudável perdidos em Portugal, nomeadamente devido a doenças metabólicas, doenças cardiovasculares e cancro.
Além disso, segundo o IAN-AF, estes hábitos, aliados à baixa atividade física, são responsáveis pelo problema de excesso de peso que abrange mais de metade da população portuguesa, cerca de 34,8 por cento apresenta pré-obesidade e 22,3 por cento obesidade.
O estudo concluiu também que as refeições principais de base vegetal têm, em geral, uma pegada carbónica inferior às refeições principais de carne, peixe ou ovos, tendo as refeições de carne, em geral, a maior pegada. Para que a nossa alimentação se mantenha dentro dos limites planetários, é crucial aumentar o consumo de alimentos de origem vegetal. Neste plano foram ainda privilegiados alimentos sazonais e frescos – estes são, em geral, mais sustentáveis e ricos nutricionalmente.
E diz ainda que no mundo cerca de 40 por cento de toda a área agrícola é utilizada para produzir alimentos, que a carne, aquicultura, ovos e laticínios utilizam cerca de 84 por cento das terras agrícolas mundiais dedicadas à produção alimentar, contribuindo para quase 60 por cento das emissões dos alimentos, apesar de fornecerem apenas 37 por cento das proteínas e 18 por cento das calorias.
A propósito do Dia Mundial da Terra a organização internacional de defesa do solo Save Soil também alerta que, devido a práticas agrícolas insustentáveis e ao consumo excessivo, cerca de metade do solo mundial já está degradado.
O Dia Mundial da Terra, este ano com o lema «Planeta versus Plásticos», assinalou-se pela primeira vez a 22 de abril de 1970, promovido por um senador americano. A Assembleia Geral da ONU formalizou o dia em 2009.
Além de promover a preservação do meio ambiente, num equilíbrio justo entre as necessidades atuais e futuras, a efeméride destina-se a mobilizar a sociedade civil para a concretização de medidas que protejam o planeta.
O Centro de Informação Europeia Jacques Delors alerta numa mensagem sobre o dia que a Terra «está a sofrer», que os oceanos se enchem de plástico e se tornam cada vez mais ácidos, e que o calor extremo, os incêndios e as inundações afetam milhões de pessoas.
«As alterações climáticas, as alterações provocadas pelo homem à natureza, bem como os crimes que perturbam a biodiversidade, tais como a deflorestação, a alteração do uso do solo, a intensificação da agricultura e da produção pecuária ou o crescente comércio ilegal de vida selvagem, podem acelerar a velocidade de destruição do planeta», avisa o centro.
Foto: Bruno Filipe Pires.
