Praia do Pinhão é uma das cinco com arribas em risco no concelho de Lagos. Sofreu uma derrocada que destruiu as escadas de acesso.
A derrocada de uma falésia, que ocorreu na madrugada de sábado, dia 13 de janeiro, destruiu as escadas de acesso à praia do Pinhão, em Lagos. Na tarde de segunda-feira, voltou a haver uma derrocada, o que se pode repetir devido à precipitação.
Do incidente não resultaram feridos, porém, devido ao perigo iminente, o local está agora interdito ao público e com risco de coima de 30 a 300 euros para quem não respeitar a sinalização.
Não só o acesso está condicionado como também o caminho de terra que circunda a praia, de onde é possível ver a praia de Dona Ana e a Ponta de Piedade, não sendo ainda possível definir até quando se manterá assim.
O risco de desmoronamento era já do conhecimento das autoridades e da autarquia que interditaram a zona há mais de um ano, segundo o Capitão do Porto e Comandante-local da Polícia Marítima de Lagos, Hugo da Guia, e a Câmara Municipal de Lagos.
«A derrocada fez com que o perímetro que define a zona interdita fosse mais alargado», salientou o responsável em declarações ao barlavento ao acrescentar que esta é uma situação que já se esperava.
«Isto não é novidade porque já era considerada uma área de risco e daí o acesso estar condicionado. As áreas de perigo são classificadas como zonas interditas e esta estava já sinalizada como tal», frisou. Sendo considerada uma zona de perigo havia, por isso, conhecimento do «risco elevado», no entanto «havia sempre utilizadores daquela zona de areal».
Quando ocorreu a derrocada não estava ninguém na praia, não havia veículos no local que indicasse a presença de pessoas por perto, nem houve registo de nenhuma ocorrência, relatou o Comandante-local da Polícia Marítima de Lagos.
É a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade que monitoriza as arribas ao longo da costa portuguesa, que está a avaliar a ocorrência e a determinar se irá existir alguma intervenção.
De momento, está a ser construído um passadiço em madeira que vai permitir um novo acesso à praia, levando assim ao fim da utilização das antigas escadas em pedra, o que a autarquia já previa.
«Independentemente das soluções e intervenções que venham a ser feitas no local, a estratégia passa por criar alternativas de circulação mais seguras e com reduzido impacto visual no território. Por essa razão, a segunda fase das obras de Valorização e Requalificação da Ponta da Piedade – atualmente em fase de conclusão – que se desenvolvem entre o Farol da Ponta da Piedade e a Praia do Pinhão, integraram o prolongamento dos passadiços, o que permite desviar grande parte da circulação pedonal das zonas costeiras mais sensíveis», esclareceu o município de Lagos ao barlavento.
No concelho de Lagos existem cinco praias com faixas de riscos das arribas, o que corresponde à área passível de ser ocupada pelos resíduos de desmoronamentos e tem largura igual a 1.5 vezes a altura da arriba, nomeadamente a praia da Batata, Camilo, Dona Ana, Porto de Mós e, precisamente, a Praia do Pinhão, informa a APA.
Como tal, as autoridades deixam o apelo para que se respeite a sinalética, colocada para salvaguarda de todos. «É feito um grande esforço para ser feito o levantamento e colocada a sinalética correta e as pessoas não respeitam. Assim, todo este trabalho é em vão e a vida das pessoas corre realmente perigo», alertou Hugo da Guia.
Na tarde de segunda-feira estiveram no local o presidente da Câmara Municipal de Lagos, Hugo Pereira, o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Lagos e Coordenador Municipal de Proteção Civil, Márcio Regino, e o Capitão do Porto e Comandante-local da Polícia Marítima de Lagos, Hugo da Guia.
De referir que os desmoronamentos devem-se a inúmeros fatores, tais como a intensidade e frequência da ação de agentes climáticos, a fraturação e o tipo de rocha da arriba, assim como a ocupação humana, presença de vegetação, vibração, sismicidade, entre outros.





