O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, David Santos, foi eleito, no sábado, 30 de janeiro, líder da Comissão Distrital do Partido Social Democrata (PSD) do Algarve.
Os militantes deram mais de 90 por cento de vitória ao até aqui vice-presidente desta estrutura política algarvia, que se candidatou após a demissão da direção liderada por Luís Gomes, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.
David Santos acumula, assim, os dois cargos, mas não abandonará a presidência da CCDR do Algarve. Não tardou, porém, que a Federação Regional do Algarve do Partido Socialista (PS) emitisse um comunicado, no qual convida David Santos a abandonar a CCDR do Algarve, por considerar que este deixou de ter «condições políticas para permanecer na presidência» de um organismo público.
Contactado pelo «barlavento», David Santos afirma não perceber «a questão por uma razão muito simples». «Eu sou presidente da CCDR do Algarve, depois de ter concorrido a um concurso público nacional, no qual concorreram dez pessoas. Fui sujeito a uma avaliação curricular, após a qual escolheram seis pessoas para irem à entrevista com quatro membros da CRESAP, que é a Comissão de Recrutamento para a Administração Pública. Depois dessa entrevista, selecionaram três pessoas, uma das quais eu, e depois fui entrevistado por três secretários de Estado do governo anterior e, na sequência disso, é que fui nomeado presidente da CCDR do Algarve», resumiu em declarações ao «barlavento».
O atual líder do PSD Algarve sublinha ainda que «foi objeto de concurso público nacional», portanto, não entende a questão levantada pelos socialistas, «exatamente por isso». A Federação Socialista argumenta, contudo, que as CCDR «prosseguem atribuições no domínio do desenvolvimento regional e fundos comunitários, que prestam apoio às autarquias locais e às suas associações, funcionando como interlocutor junto dos cidadãos e das suas organizações, de forma a assegurar uma maior relação de proximidade».
E esse papel de interlocutor, para os socialistas algarvios «não poderá ser assumido de forma plena pelo líder do principal partido da oposição, particularmente num quadro de reforma da administração desconcentrada e de preparação para as eleições autárquicas de 2017». O PS vai mais longe e argumenta que «parece pouco crível que o presidente eleito do PSD Algarve reúna as condições de confiança, independência, imparcialidade, isenção e lealdade exigíveis», para «operacionalizar as determinações recebidas dos membros do governo no exercício das suas funções profissionais, enquanto lidera a oposição, ao mesmo tempo, fora do horário de expediente, em termos regionais».
O PS Algarve convidou, desta forma, o atual presidente da CCDR a apresentar a «imediata demissão», tal como os socialistas fizeram no passado. Foi o caso de Miguel Freitas, em 2002, que saiu da CCDR quando se candidatou à liderança do PS Algarve.
David Santos afirma que «apesar de não ter por hábito responder a comunicados» e sublinhando que «se o PS Algarve tivesse que comentar alguma questão deveria tê-lo feito diretamente», utiliza como exemplo a nomeação do socialista José Apolinário. «Estranho, eventualmente a falta de coerência do PS Algarve», pois «não me recordo de terem feito a mesmo convite ao José Apolinário, quando ele foi diretor-geral da Docapesca em Portugal e era, em simultâneo, presidente da Assembleia Municipal do Partido Socialista em Faro», contrapôs David Santos, escusando-se a tecer mais comentários.