No centro de Alvor, o Cult n’Art Café ocupa uma antiga casa de família transformada num espaço acolhedor, onde comida caseira, arte e um ritmo calmo convidam a ficar.
No centro de Alvor, o Cult n’ Art Café, aberto em 2021 por Léna Pérez e Ricardo Marques, ocupa uma antiga casa de família transformada num espaço acolhedor e intimista, onde a comida caseira, a arte e o ritmo calmo do dia a dia convivem num ambiente pensado para ficar, marcado pela memória e por uma identidade muito própria.
A história começa na casa onde nasceu a avó de Ricardo, que durante muitos anos funcionou como pastelaria. Foi ela quem sugeriu que o espaço ganhasse uma nova vida. Hoje, continua presente. Passa ali tardes tranquilas, acompanha o dia a dia do café e expõe os seus quadros nas paredes, integrando-se naturalmente no conceito do lugar.
Desde a entrada até à mesa, tudo é feito com proximidade. O atendimento é personalizado, o sorriso é constante e a sensação é a de estar numa extensão da casa de quem recebe. O espaço é frequentado por quem vai trabalhar, encontrar amigos, dividir petiscos ou simplesmente beber o sumo do dia ou um café.
A proposta gastronómica é simples, mas cuidada. O menu muda diariamente, acompanha a sazonalidade e mantém sempre um elemento de surpresa. Há opções vegetarianas, vegan e sem glúten, pensadas para conforto e partilha. Entre os pedidos mais frequentes está a Taça do Momento, um smoothie de fruta preparado diariamente com ingredientes diferentes, granola caseira, coco laminado, chia e goji.
As panquecas de mel e limão com amêndoa fogem ao clássico e surgem com pepitas de chocolate e avelã. Os bolos caseiros, preparados por Léna, variam de sabor todos os dias.
A especialidade da casa é a Shakshuka, um prato de inspiração oriental com ovo escalfado em molho de tomate e pimentos, servido com pão de alho caseiro, produzido numa padaria artesanal em Alvor. A versão vegan, Veganshuka, substitui o ovo por uma preparação de feijão branco, cúrcuma e kala namak (um sal-gema cozido em forno com um cheiro sulfuroso e pungente, usado principalmente nos países do Sul da Ásia).
A carta inclui ainda batidos e shots energéticos, chás da Companhia Portuguesa do Chá e bebidas com CBD, da Kapahemps Portimão. Para quem prefere uma opção alcoólica, há cerveja artesanal Dos Santos, vinho Dom Campos da Casa Ermelinda Freitas e o Per Se Aperitivo.
O percurso do casal, que partilha a vida há uma década, também ajuda a explicar a identidade deste projeto. Conheceram-se no Vila Joya, hotel de cinco estrelas com restaurante distinguido com duas estrelas Michelin, onde Ricardo trabalhava como empregado e barman e Léna realizou um estágio. Mais tarde, Léna passou pelo InterContinental Lisboa, enquanto Ricardo integrou a equipa do Bairro do Avillez.
Quando Léna regressou à Suíça para concluir a licenciatura, Ricardo emigrou para a Alemanha e trabalhou num restaurante com estrela Michelin, em Essen. Em 2018, voltaram ao Algarve e dedicaram-se durante um ano ao catering. Com os lucros do trabalho, viajaram pela Índia e Sri Lanka durante cerca de três meses, experiência que marcou a abordagem à comida e à partilha. O regresso a Portugal foi antecipado pela pandemia de COVID-19.
A oportunidade de abrir um espaço próprio surgiu em 2021. Mesmo sem experiência anterior em cozinha, Ricardo assumiu essa responsabilidade. O Cult n’Art Café tornou-se uma extensão da casa do casal, com um ambiente íntimo, cores claras e elementos naturais, onde todos são recebidos de forma descontraída — incluindo animais de companhia.
A arte faz parte do quotidiano do espaço. Entre refeições e conversas, encontram-se obras e produtos de artistas e criadores locais ou residentes na região. O café funciona também como palco para talentos de várias nacionalidades, como a pintora irlandesa Josephine Boland, residente em Alvor, e a alemã Lea Silversides, que vive em Lagos. As exposições surgem quase sempre de relações próximas, num espírito de colaboração e entreajuda.
«Sentimos uma satisfação enorme quando as pessoas se despedem a sorrir e elogiam não só a comida como o espaço e o ambiente», contam os proprietários. «Dizem-nos que tiveram um momento maravilhoso e isso é o mais importante para nós».
Ricardo concluiu o curso de Técnicas de Serviço e Gestão Hoteleira em Alimentos e Bebidas na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve. Léna é licenciada em Administração de Empresas em Gestão Hoteleira com Vendas e Marketing pelo Instituto Superior de Educação Glion.
O nome e o conceito do café surgiram de forma espontânea, em momentos de convívio com amigos e pessoas próximas.
Hoje, no Cult n’Art Café, cruzam-se comida caseira, arte e histórias pessoais, num espaço que convida à partilha e ao tempo sem pressa.







