O contrato de conceção, construção e exploração da futura dessalinizadora do Algarve, que deverá estar construída até finais de 2026, é assinado hoje em Albufeira na presença do primeiro-ministro, anunciou a Águas do Algarve.
O contrato de adjudicação, que representa um investimento de cerca de 108 milhões de euros, está integrado no Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve, enquadrado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O projeto de construção de uma dessalinizadora no concelho de Albufeira, é uma das medidas de resposta à seca que afeta a região mais a sul de Portugal continental integrada num pacote de medidas lançado pelo anterior governo.
A infraestrutura terá como capacidade inicial 16 milhões de metros cúbicos (m3), mas a empresa está a projetá-la para que tenha capacidade para tratar até três vezes mais do que esse volume, ou seja até aos 24 milhões m3 de água.
A região do Algarve tem sofrido, ao longo dos últimos anos, ciclos de seca prolongada associada a uma situação de escassez hídrica já considerada estrutural, resultando numa diminuição dos volumes de água armazenada nas várias origens disponíveis.
O consórcio luso-espanhol de empresas que vai construir a dessalinizadora irá também ser responsável pela «exploração do empreendimento por um período de três anos» depois de a obra estar concluída, segundo a Águas do Algarve.
Luís Montenegro é acompanhado na cerimónia de assinatura do contrato por Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, e por Manuel Castro Almeida, ministro-Adjunto e da Coesão Territorial.
A Águas do Algarve é a empresa pública responsável pelo abastecimento de água na região e tem a seu cargo a gestão de infraestruturas como barragens ou Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).
O projeto avança mas não está livre de críticas e contestação. A Associação de Municípios do Algarve (AMAL) através do seu presidente António Miguel Pina, afirmou ao barlavento que o processo da futura Central Dessalinizadora «não tem cabimento para a totalidade do custo que foi proposto para concurso». Esta informação foi confirmada posteriormente pela Ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.
No início de julho, a Plataforma Água Sustentável (PAS) encetou uma diligência judicial, junto do Ministério Público, por considerar que a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da futura Dessanilizadora do Algarve é inválida, tal como o barlavento noticiou.
Em fevereiro, vários grupos de pessoas que estão contra a construção da estação Dessalinizadora do Algarve manifestaram oposição ao projeto, que consideram provocar um «crime ambiental» na Praia da Falésia, no concelho de Albufeira.