Sobre a situação que se vive no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, revelou hoje que face à conjuntura epidemiológica, as cirurgias não urgentes poderão vir a ser canceladas. Faro já se está a preparar para receber doentes de outras zonas do país.
O Hospital de Faro «até há poucos dias estava na fase dois, passou à fase três e ainda temos a fase quatro e eventualmente a fase cinco, que esperemos que não seja necessário e que as medidas que estão a ser tomadas, e que irão ser tomadas nos próximos dias em função da evolução epidemiológica em Portugal, tenham efeitos sobre aquilo que é a transmissão do vírus e o número de doentes e de casos diários que temos no país e também na região. Por isso também vamos ativar a estrutura de apoio de retaguarda para dar apoio ao hospital, aos lares e continuar este esforço de vacinação que é da maior importância para no fundo limitar aquilo que é o número de pessoas vulneráveis que irão adoecer para, obviamente, também conseguirmos dar conta daquilo que é a infeção. A situação é de alguma preocupação», disse hoje Paulo Morgado, durante a conferência de imprensa para atualizar a situação epidemiológica do Algarve, em Loulé.
Em termos práticos, passar à fase três significa aumentar a capacidade de 92 para 107 camas em enfermaria destinadas a doentes com COVID-19, antecipando os problemas que possam surgir.
«É normal que quando os hospitais do Algarve precisam de enviar doentes para Lisboa o façam. Também quando Lisboa, ou qualquer outra região, precisa pontualmente de ajuda, nós ajudamos. Essa é a atividade normal e acontece regularmente. Há um plano de contingência hospitalar que é articulado com a orientação da ARS e que tem a ver com a capacidade de internamento, que tem alguma elasticidade para ir crescendo para ir dando resposta à pandemia. Passar à fase três, implica termos 109 camas de internamento em enfermaria, que é isso que está a ser preparado, neste momento. Não queremos chegar aí e vamos tomar todas as medidas para que não esgotemos essa capacidade. Isso terá algum impacto na atividade programada, mas teremos de tomar certas medidas para o minimizar e para que não limite o prognóstico do doente, que obviamente queremos preservar».
«Esta é uma situação que nos preocupa, mas que vamos gerindo e adaptando dia a dia, em função daquilo que é a situação do terreno. Estamos a ativar a fase três. Nós antecipamos problemas. É esta a situação atual porque não é no dia que os doentes chegam que vamos abrir as camas. Temos espaço para crescer, mas a fase três está a ser ativada. De 92 camas passamos para 109. Vão ter de ser encontrados os espaços nas enfermarias, inclusive nas cirúrgicas, para fazer esse tipo de elevação, adiando cirurgias não urgentes», admitiu.

Questionado pelos jornalistas sobre a doença nos profissionais de saúde das unidades do CHUA, Paulo Morgado revelou que «temos oito profissionais infetados e 14 em isolamento profilático, num universo de 4600 funcionários».
«Não temos nenhum profissional internado nem nenhum em situação grave quer nos cuidados primários, quer nos cuidados hospitalares. Claro que vão surgindo casos em vários serviços quer nas unidades de Faro, Portimão e também de Lagos. Esses casos resultam muitas vezes de contágios familiares» disse.
Sobre um eventual reforço de pessoal, «em termos de contratação, quer o CHUA, quer a ARS, têm vindo a contratar e estão a contratar de forma ativa os profissionais que existem no mercado, sem qualquer limitação», esclareceu.
Segundo o presidente da ARS Algarve, o CHUA «já contratou um número perto de 300 profissionais e a ARS Algarve também um número nessa ordem, 300 novos profissionais para apoiar as equipas», ao longo de 2020.
«Não há nenhuma limitação à contratação. O que às vezes existe é limitação no número de profissionais disponíveis para contratar, sobretudo nos enfermeiros e médicos e às vezes alguns técnicos. Não é por nós não querermos nem podermos contratar. Queremos e podemos contratar, mas às vezes não há essa possibilidade», sublinhou.
Morgado referiu-se à possibilidade aberta agora pelo Orçamento de Estado de fazer contratações sem termo, em vez das de quatro meses renováveis.
«É uma boa notícia e a partir de agora temos também essa facilidade de dar outro tipo de segurança às pessoas. Embora aquilo que são as contratações a quatro meses renováveis, vamos abrir concursos nos próximos dias para passar essas pessoas a vínculos definitivos. Iremos abrir ao longo do ano de 2021 novos concursos».
A primeira leva entrou agora no mês de janeiro. «Este ano, a região tem mais 191 médicos que começaram nos primeiros dias de janeiro. São médicos no início da sua formação. Uns na formação geral e outros já na formação especializada e esse aspeto é também muito importante porque vem dar uma ajuda muito relevante àquilo que é o nosso esforço, que é grande como sabemos», concluiu.