O Chega conseguiu a presidência de três câmaras municipais e crescer em termos de votos e mandatos nestas eleições autárquicas, mas o líder, André Ventura, reconheceu que os resultados ficaram aquém dos objetivos.
Pelas 03:05, já com todas as freguesias apuradas, o Chega conseguiu mais de 654 mil votos, correspondendo a 11,86% dos votos, segundo os dados provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), subindo a terceira força política, atrás do PSD e PS.
O partido de André Ventura conseguiu eleger 134 vereadores e três presidentes de câmara, no Entroncamento (distrito de Santarém), Albufeira (Faro) e São Vicente (Madeira).
Ainda assim, ficou atrás da CDU, que conseguiu 12, e do CDS-PP, que manteve as seis, o que André Ventura tinha afirmado que seria «impensável».
A Câmara Municipal do Entroncamento era liderada pelo PS e agora passa a ser presidida por Nelson Cunha. Já o município de Albufeira, onde o Chega candidatou o deputado Rui Cristina, tinha gestão social-democrata, assim como São Vicente, que passará a ser liderada por José Carlos Gonçalves.
O Chega concorreu pela primeira vez a eleições autárquicas em 2021, dois anos após a legalização do partido.
Nessas eleições conseguiu mais de 208 mil votos e elegeu 19 vereadores em municípios espalhados por sete distritos. Com 4,16% dos votos, foi a sexta força política mais votada há quatro anos, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.
Na reação aos resultados, Ventura assinalou que «foi uma noite boa», uma vez que o Chega «conseguiu implantar-se» a nível autárquico e «tornar-se um partido de responsabilidade autárquica».
André Ventura reconheceu, no entanto, que não foi «a vitória e a amplitude de vitória» que esperava e que queria ter conseguido um número maior de autarquias.
«Eu sempre disse que não há partidos de poder sem serem partidos autárquicos. Hoje demos esse primeiro passo, mas ainda estamos longe dos objetivos a que nos tínhamos proposto. Este partido já não luta para ficar em segundo nem em terceiro, este partido luta para vencer. Hoje não vencemos, mas vamos lutar para vencer», admitiu, assumindo a responsabilidade pelo resultado.
O presidente do Chega chegou a colocar a fasquia em 30 câmaras municipais, metade dos municípios em que o partido foi o mais votado nas legislativas, mas ao longo da campanha foi mais cauteloso e recusou sempre definir um número.
Ventura traçou como objetivo conseguir a presidência de câmaras e ter um resultado próximo do das legislativas em número de votos. Em praticamente todos os concelhos por onde passou pediu vitórias.
O partido considerou que esses resultados seriam mais fáceis de alcançar no Alentejo e no Algarve, e o líder chegou a defender que o sul iria ser o «grande bastião» do partido e iria marcar o «início da conquista do país».
No entanto, o Chega apenas conseguiu uma câmara no distrito de Faro.
Foto: Chega oficial