José Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Aljezur, pede ao governo que tenha «sensibilidade» para uma intervenção de fundo na Estrada Nacional 120.
A Estrada Nacional 120 (EN120) foi cortada, por prevenção, ao quilómetro 128+600, junto a Odeceixe, no concelho de Aljezur, devido ao mau tempo e ao risco de deslizamento da via, a 18 de março. A derrocada acabou por acontecer, deixando aquele troço intransitável até hoje.
José Gonçalves considera que, «neste momento, temos um problema sério. Estamos confrontados com o corte desta via principal», o que poderá ter consequências negativas na economia local, sobretudo durante a época balnear.
«Com as chuvas recentes, houve uma derrocada agravada pelas consequências do incêndio de agosto de 2023. Esta é a via principal estruturante para esta região», e o corte, «significa prejuízos para a vila de Odeceixe, Aljezur e não só».
O autarca, que falava ontem ao final da tarde, durante a apresentação do Programa de Comunicação e Gestão de Branding do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, na Junta de Freguesia de Odeceixe, afirmou que «temos de acompanhar de forma muito próxima toda esta situação, colaborando, mas também exigindo e aguardando que a Infraestruturas de Portugal (IP) faça o que tem a fazer, no sentido do diagnóstico da intervenção futura».
José Gonçalves quer que «o próximo governo, seja ele qual for, assuma como prioridade a necessária e urgente» intervenção de fundo na EN120.
E justificou: «O que aconteceu no dia 18 de março vai acontecer noutros pontos desta estrada, portanto, é uma situação urgente que é preciso resolver» com uma solução «definitiva».
Se a intervenção em curso «correr bem, daqui a um mês ou dois», parte do problema estará resolvido. «Se não correr bem, vamos ter o verão todo com esta situação. Seguramente é um desafio para Odeceixe, mas também para toda a economia, para o turismo, e que prejudica muito a região».
O autarca lembrou que, no pós-incêndio, o município conseguiu aprovar candidaturas: uma de 160 mil euros à Linha Regenerar Territórios, «para promover e valorizar os territórios afetados, que estamos a concretizar com participação em feiras e ações», e outra ao Fundo de Emergência, «para a rede viária e Infraestruturas, no valor global de 2,7 milhões de euros, com o Fundo a disponibilizar 1.6 milhões de euros. No entanto, «só agora conseguimos lançar os procedimentos».
«O processo é longo, a administração pública é pesada, sobretudo a contratação pública. Não podemos perder oportunidades, mas temos de ser persistentes», concluiu.
O autarca de Odemira, Hélder Guerreiro, também presente na ocasião, mostrou-se «perfeitamente disponível para, em conjunto, fazer esse trabalho de lobby legal, de maneira a que possa acontecer uma intervenção por parte do governo».
A IP anunciou um corte «total e imediato» da circulação na EN120, sem avançar data prevista para a reabertura. A via liga Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, a Lagos, no distrito de Faro.
A decisão foi justificada com base numa avaliação prévia realizada pelos técnicos da área de Geologia e Geotecnia.
Os utentes da via terão de continuar a planear as deslocações, «sobretudo as de longo curso e pesados», recorrendo a «itinerários alternativos».
