A peça «As Três Irmãs», a partir de Anton Tchekhov, estreia a 22 de maio, às 19h00, no Auditório Carlos do Carmo, em Lagoa, em estreia absoluta.
Segundo a Momento — Artistas Independentes, este espetáculo não é uma adaptação do clássico russo. «É um ensaio que não consegue terminar — e essa impossibilidade é o próprio espetáculo. Numa sala de ensaios de um teatro importante, Clara, Marta e Tomás trabalham as três irmãs de Tchekhov e são, ao mesmo tempo, elas próprias: com contratos por pagar, dúvidas sobre um texto que continua a ser reescrito e um encenador que dirige e não dirige. O dramaturgo entrega folhas novas a meio do ensaio. Tchekhov, que devia vir assistir, acaba por não aparecer».
No intervalo, «o espetáculo abre espaço a tudo o que o teatro contemporâneo não consegue deixar de discutir: o lugar de fala, a pertinência de encenar um autor russo num mundo em guerra, a política de cancelamento, a diferença entre entretenimento e cultura. As fronteiras entre cena e realidade desfazem-se — não por artifício formal, mas porque o processo as foi apagando».
«Estamos ou não a fazer As Três Irmãs?», pergunta uma das personagens. «Sim. Mas diferente. Como o Navio de Teseu, de que também se fala em cena. No fundo, Moscovo continua ao longe. É preciso viver».
A Momento — Artistas Independentes, é uma companhia fundada por Diogo Freitas e Daniel Silva, dedicada à criação contemporânea e à descentralização cultural.
Este trabalho é uma coprodução com o Auditório Carlos do Carmo (Lagoa), o Teatro Diogo Bernardes (Ponte de Lima), o Theatro Gil Vicente (Barcelos), a Casa das Artes de Famalicão/ Teatro Narciso Ferreira, o Cineteatro Louletano, o Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) e o Teatro Municipal de Bragança.
O espetáculo tem duração de 85 minutos, é recomendado para maiores de 12 anos e inclui interpretação em Língua Gestual Portuguesa e audiodescrição.
Os bilhetes custam 8 euros, com descontos habituais, e estão disponíveis na plataforma bol.
Foto: Estelle Valente