António Filipe alcançou 1,64% dos votos e ficou em sétimo lugar nas eleições presidenciais de domingo, entre um total de 11 candidatos, registando o pior resultado de sempre para um candidato apoiado pelo Partido Comunista Português (PCP) desde 1976.
De acordo com os resultados provisórios, o ex-deputado comunista, apoiado também pelo Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), somou 92.468 votos, ficando abaixo de Catarina Martins, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, e à frente de Manuel João Vieira, Jorge Pinto, André Pestana e Humberto Correia.
O resultado representa o valor mais baixo obtido por um candidato apoiado pelo PCP em eleições presidenciais desde as primeiras realizadas após o 25 de Abril. Em 2021, João Ferreira, igualmente apoiado pelos comunistas, tinha alcançado 4,28% (171.322 votos), num desfecho que o partido então classificou como uma recuperação face aos 3,95% obtidos por Edgar Silva dez anos antes.
Nas presidenciais de 2026, os melhores resultados de António Filipe registaram-se no distrito de Beja, onde ficou em quinto lugar, à frente de Luís Marques Mendes. Seguiram-se Évora, Setúbal e Portalegre, distritos em que terminou em sexto lugar, acima de Catarina Martins. Em sentido oposto, os piores desempenhos surgiram em distritos como Aveiro, Bragança, Viseu, Guarda e Leiria, onde ficou em oitavo lugar, abaixo de Manuel João Vieira.
No discurso proferido num hotel em Lisboa, onde se reuniram apoiantes, António Filipe reconheceu que a votação ficou aquém das expectativas e daquilo que considerou ser necessário para o país. Perante o apuramento final, com António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista (PS), em primeiro lugar, e André Ventura, do Chega, em segundo, António Filipe anunciou, juntamente com o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, o voto em Seguro na segunda volta.
O candidato esclareceu que esse posicionamento «não significa um apoio a António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e ao longo da sua atividade política», mas antes «a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura», que classificou como portador de um projeto reacionário.
Apesar do resultado, António Filipe afirmou não ter arrependimentos quanto à candidatura, que procurou opor-se aos candidatos do consenso neoliberal e chamar a atenção para temas como o pacote laboral e o acesso à saúde e à habitação. Alertou ainda para tempos exigentes e garantiu que estará «convictamente ao lado do povo português na luta pelos seus direitos, sem qualquer desânimo ou vacilação».
Também Paulo Raimundo considerou que o resultado «fica aquém do valor da candidatura» e apontou uma campanha marcada por «tratamento desigual», com «promoção e favorecimento de outras candidaturas», além de «chantagem, condicionamento e opção de livre voto».
O histórico das presidenciais mostra oscilações significativas no apoio comunista. Em 1976, Octávio Pato obteve 7,59%. Em 1980 e 1986, os candidatos indicados pelo PCP desistiram. Em 1991, Carlos Carvalhas alcançou 12,92%, o melhor resultado de sempre. Em 2001, António Abreu teve 5,13%, seguindo-se Jerónimo de Sousa com 8,64% em 2006 e Francisco Lopes com 7,05% em 2011.
A candidatura apoiada por PCP e PEV ficou também abaixo dos resultados mais recentes da coligação CDU, que obteve 2,91% nas legislativas de 2025, 3,17% nas legislativas de 2024 e 5,74% nas autárquicas de 2025.