A GAMA RAMA inicia uma nova etapa com a abertura de um espaço de maior escala na Rua do Prior, n.º 46, no centro histórico de Faro.
Instalado num antigo armazém industrial — durante décadas a fábrica da marca algarvia Refrigerantes Quintódio, de onde saíram os conhecidos «Pirolito», «Sofrutos» e «Sufruto» — o edifício é agora reativado como polo de criação, produção e programação cultural contemporânea.
Fundada em 2020, a GAMA RAMA começou como galeria, afirmando-se como espaço de exposição e divulgação artística. A longo do tempo, tem vindo a expandir a atividade com estúdios para artistas, workshops, encontros temáticos e projetos em parceria com o município de Faro, a Universidade do Algarve (UAlg), escolas e outras entidades locais.
Até agora, a atividade desenvolveu-se num edifício histórico no n.º 13 da mesma rua, onde consolidou uma comunidade artística ativa e uma programação regular.
Liderada pelo casal Toma Svazaite e Miguel Neto, a GAMA RAMA assume-se como uma iniciativa cultural independente orientada para a consolidação da criação contemporânea no Algarve, o fortalecimento da produção artística e a construção de uma comunidade criativa de longo prazo.
Nesta nova fase, conta também com o artista Tom Leamon, que colaborou na reconfiguração do espaço da incubadora criativa e da área expositiva. O crescimento da organização, o aumento da procura por espaços de trabalho e a visibilidade alcançada nos últimos anos tornaram necessária a transição para uma infraestrutura de maior dimensão.
«Sentimos que o projeto ultrapassou a escala do espaço onde estávamos. Havia uma procura crescente por estúdios e condições de trabalho que já não conseguíamos assegurar», explica Miguel Neto, em nota enviada hoje às redações.
A reabilitação da antiga fábrica devolve à cidade um edifício com memória industrial, transformando-o num ecossistema dedicado à experimentação, à prática continuada e à partilha pública.
«Esta mudança não é apenas física. É a afirmação de um compromisso de longo prazo com a criação contemporânea no Algarve e com a construção de uma comunidade artística sustentável», acrescenta Toma Svazaite.
Novo espaço responde à falta de estúdios em Faro
A abertura do novo espaço responde a uma necessidade identificada na região: a escassez de estúdios acessíveis, infraestruturas de produção e estruturas culturais com continuidade.
A GAMA RAMA passa agora a concentrar, num único local, 12 espaços de criação e produção — incluindo estúdios privados e partilhados — bem como oficinas e recursos comuns para desenvolvimento, finalização e documentação de projetos. O programa inclui também uma agenda regular de atividades públicas, com exposições, workshops, conversas, projeções e momentos de estúdio aberto.
Atualmente, a organização acolhe 14 artistas de diferentes áreas e práticas, promovendo um ambiente de convivência criativa que incentiva o diálogo, a experimentação e o desenvolvimento de colaborações. Em paralelo, mantém a residência artística internacional, agora na terceira edição, reforçando a dimensão de investigação e intercâmbio no contexto do Algarve.
No centro desta expansão está a aposta na «consolidação da ligação ao território», promovendo a «articulação entre o ecossistema artístico e a comunidade local, através de parcerias, iniciativas educativas e atividades dirigidas a escolas, residentes e visitantes», explicam os responsáveis pelo projeto.
«Não queremos ser apenas um espaço para artistas, mas um agente ativo na construção cultural da cidade», sublinha Miguel Neto. «Criar pontes com escolas, com o município e com a comunidade é essencial para que a criação contemporânea faça parte do quotidiano e não exista à margem dele», acrescenta.
«Fruta da Época» abre a temporada
A inauguração deste novo ciclo é assinalada com a exposição coletiva «Fruta da Época», patente de 28 de março a 20 de junho.
Concebida como uma retrospetiva em aberto, a mostra reúne artistas que têm integrado o projeto ao longo dos últimos cinco anos, apresentando obras que refletem processos em curso, investigações consolidadas e momentos de transformação nas suas práticas.
Mais do que um balanço, a exposição evidencia o crescimento orgânico de uma comunidade artística construída desde 2020. As obras revelam influências cruzadas, percursos individuais e a vitalidade de um coletivo em constante evolução, em que a criação surge como resultado de continuidade, diálogo e maturação.
A exposição reúne artistas locais, nacionais e internacionais, entre os quais XANA, Tom Leamon, corpo atelier, Graça Paz, Susana Cereja, Halina Magdalena Ekberg, Albert Tannat, David Schmitt, Bruno Grilo e Milita Doré.
A antiga fábrica, outrora dedicada à transformação industrial, dá agora lugar a um espaço dedicado à criação artística, onde a memória industrial do edifício ganha nova vida cultural.

