O sentimento de confiança entre os pais das crianças que frequentam o ensino articulado de música e os Conservatórios está à beira da rutura. Isto porque há pais a questionarem a razão pela qual, afinal, não há dinheiro para o seu financiamento, uma vez que o ministro da Educação Nuno Crato já anunciou um reforço das verbas.
Segundo Rui Gonçalves, diretor do Conservatório de Música de Olhão, os pais não compreendem que os cortes no orçamento destes estabelecimentos foram superiores ao reforço agora anunciado.
«A nível de financiamento sofremos um corte de 18 por cento», que se traduz «em 16 mil euros», avançou.
Em relação ao dinheiro que foi anunciado pelo governo, o diretor deste organismo ainda não tem dados concretos, remetendo apenas para o (pouco) que a comunicação social tem divulgado. «O processo de candidatura ainda não está finalizado, está em fase de análise e já estão a ser feitos estes anúncios de cortes e reforços!», afirmou. Em Olhão, estão em risco 14 iniciações e a solução será os pais pagarem as mensalidades, até porque as aulas já começaram e não há uma decisão final quanto à distribuição de verbas.
Quebra-se assim a confiança no sistema, entre instituições e pais, que ouviram falar do reforço e não entendem porque é que não há dinheiro. Os pais querem «saber quem está a mentir», sublinhou Rui Gonçalves ao «barlavento». A escola tinha apresentado os novos preços aos pais e, após o começo das aulas, já teve que anunciar um novo aumento das mensalidades.
Nuno Crato, porém, veio a público explicar que não houve cortes, pois a verba será de 55 milhões de euros, tal como antes. Foi feita uma redistribuição dos fundos, pois, até este ano letivo, o ensino (no caso do Algarve e Lisboa) era elegível para o POPH, com contratos-patrocínio. Este ano, as regras mudaram. E o Ministério da Educação assumiu toda a verba. São os mesmos 55 milhões, mas com uma redistribuição igual em todas as regiões. Ora, as verbas subiram nalguns pontos do país, mas no Algarve desceram…
O «barlavento» contactou ainda João Martins, do Movimento de Cidadãos em Defesa da Escola Pública de Loulé, que diz não saber se «as verbas vão chegar às escolas públicas do concelho». Ainda assim, os pais «receberam informação por mensagem de telemóvel, da parte do Conservatório, de que as aulas» no agrupamento Padre João Cabanita começavam a 28 de setembro.
Para já, no caso de Loulé, que tem «três turmas nos agrupamentos de escolas Padre João Cabanita e Engenheiro Duarte Pacheco, ainda não foram pedidas mensalidades aos pais». João Martins afirmou que não «se pode brincar com a vida das crianças e dos pais». Isto porque, «depois das crianças terem prestado provas de aptidão musical», dos pais e alunos terem sido entrevistados pela Academia e «após as turmas terem sido formadas pelas escolas e validadas pelo Ministério da Educação» não é possível aceitar «como legítimo, que as regras do jogo se alterem a meio».