Curta-metragem de jovem farense é finalista em Festival de Miami

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«Um Retrato de Borboletas», com ante-estreia em março, pela produtora «Onírico Filmes» está neste momento nomeada para o Festival Mindie – Miami Independent Film Festival 2020. Henrique Prudêncio, o jovem autor do filme é natural de Faro e conta já com um currículo invejável enquanto cineasta.

Cresceu nos palcos e brincava nos camarins com os atores, devido à sua mãe, Ana Cristina Oliveira, trabalhar há mais 30 anos com teatro escolar e várias companhias amadoras.

Na sua infância, Henrique Prudêncio assistiu a filmes como «A Vida em Direto», «Magnólia» e «Donnie Darko» e fundou a sua primeira produtora, «Produções Sem Nome» quando andava apenas no 10º ano.

Hoje, aos 28 anos, licenciado em Cinema Documental, é o rosto por trás da curta-metragem «Um Retrato de Borboletas», selecionada para o Festival Mindie – Miami Independent Film Festival 2020, nos Estados Unidos da América.

«É uma notícia de última hora que me animou bastante. Estou muito feliz e é uma grande vitória. O meu principal desejo é que as pessoas assistam e debatam sobre o tema. Realizei a curta precisamente com esse objetivo, para que se discuta, neste caso, as diversas formas de amar, nos dias de hoje», começa por explicar ao «barlavento», o responsável pelo argumento, produção e realização da curta.

Um trabalho de 20 minutos, gravado em janeiro deste ano, com a distribuição da «Querelle Films».

Segundo o realizador, a curta fala «sobre relações, a liberdade da mulher, pessoas que mudam pessoas e as diversas formas de amar». Na prática, foca-se «numa mulher que convida vários homens para irem à sua casa, criando uma ambiguidade entre a amizade e o flirt. A personagem principal tem a particularidade de interagir com os homens, onde se demonstra a falta de liberdade que as mulheres sentem, ao não poderem ser elas mesmas com pessoas do sexo oposto, porque correm o risco de serem mal interpretadas», revela o argumentista.

UM RETRATO DE BORBOLETAS (trailer), de Henrique Prudêncio from Querelle Films on Vimeo.

Além da curta-metragem, Henrique Prudêncio soma no seu currículo, três documentários, quatro curtas e inúmeros videoclips, que já foram vencedores de vários prémios, incluindo no estrangeiro. O que têm em comum? A mesma produtora, a «Onírico Filmes», fundada em 2014 por Henrique, juntamente com o diretor de fotografia Ricardo Vargues e o ator Igor Regalla.

«A Onírico é um projeto com imensa coisa. A primeira curta que realizámos, intitulada Um Dia, venceu a melhor curta-metragem em alguns festivais e ganhou uma menção honrosa pela Fundação INATEL. O videoclipe Difícil, que fizemos para o NGA, ficou nomeado para o Melhor do Ano na Platina Line, uma espécie de Globos de Ouro de Angola, em 2015. Depois acolhemos e acariciámos uma curta do realizador algarvio Diogo Simão, a Trindade, que esteve nomeada no Short Film Corner, em Cannes, em 2016», conta o jovem.

Questionado sobre as especificidades do seu trabalho, Henrique responde que se descreve como um «produtor executivo», que se destaca dos restantes através do «respeito pelos atores. Dignifico tanto o trabalho deles que acabam por ser muito melhores. Dou-lhes o espaço que precisam e sou muito colaborador com eles. Tenho sempre uma vertente muito intensa nos meus trabalhos. É um pouco a minha génese e eles gostam imenso. Por um lado, são extremamente crus, mas depois transpõe esta vertente muito intensa que trago».

Para um futuro próximo, e após um investimento em equipamento de 30 mil euros, a «Onírico Filmes» já tem planos, todos pela mão do jovem farense.

«Acabei de escrever a minha primeira longa metragem e estou muito focado agora na realização desse filme. Estamos a falar de um trabalho extremamente difícil e que, em Portugal, da maneira como o imagino, será uma coisa única e nunca antes apresentada. Será sobre pessoas que mudam pessoas e muito baseado no amor. É um filme que aborda as diferenças entre duas pessoas que se atraem imenso, só que ainda não estão no sítio correto para se encontrarem. Isso é algo que me irrita imenso no cinema, o amor é muito fácil, não há luta e isso frustra-me. Há amores vividos, que nem sequer chegam a ser amor, isso para mim é muito interessante. Acho que esta vai ser uma história que não vai deixar ninguém indiferente», desvenda o realizador.

Apesar de ter poucas certezas sobre qual o rumo a tomar, uma vez que devido à sua formação está apto para fazer um pouco de tudo, Henrique tem um único desejo: «passar a minha visão e contar histórias, através da realização de filmes».

Tudo começou com apenas 14 anos e uma câmara de cassetes

Henrique Prudêncio é o farense de 28 anos que no 10º ano criou a sua primeira produtora de filmes «Produções Sem Nome» e até à data nunca mais parou. Hoje, uma das curtas-metragem que o próprio argumentou e realizou está selecionada para o Festival Mindie – Miami Independent Film Festival 2020, na Flórida, nos Estados Unidos da América.

«Desde muito novo que comecei a fazer vídeos com o meu colega Paulo Madeira. Filmávamos coisas relacionados com desporto, grafitis e temas ligados à adolescência. Tínhamos câmaras com cassetes e o processo de converter o material para o digital era horrível», recorda ao «barlavento».

O seu gosto e os primeiros passos técnicos aconteceram na básica, quando teve aulas de cinema, na Escola Básica de 2º e 3º Ciclo Joaquim Magalhães, em Faro, com o professor Carlos Pedro Godinho.

«Tive muita sorte por ter tido essa formação e por ter sido fomentada em casa, pelo meu pai (o jornalista João Prudêncio), que tinha sempre bons equipamentos para filmar. No 11º ano fui para a Escola Profissional de Teatro de Cascais. Percebi que gosto muito da parte de interpretação de atores, só que o mundo artístico parecia-me muito duro na altura e não me conseguia ver inserido nesse meio. Foi aí que escolhi seguir Cinema Documental na Universidade», relembra o realizador.

A produtora, fundada em Faro, seguiu viagem com ele e apareceram as primeiras duas curtas-metragens.

«Na Universidade convidei colegas meus para se juntarem à Produções Sem Nome, reformulámos o projeto e nasceu uma coisa mais séria. Mais tarde, os trabalhos chegaram a um ponto em que a qualidade estava fantástica e o nome que tinha não lhe fazia jus. É nesse momento, em 2014, que fundo a Onírico Filmes», contextualiza Henrique Prudêncio.

Uma inspiração que se deve à mãe

Desde cedo que Henrique Prudêncio começou a contactar com atores e com palcos. Isto porque, a sua mãe, Ana Cristina Oliveira, criou, há 23 anos, o «Tapete Mágico», um grupo de teatro escolar.

«A minha mãe é formada e dá aulas de Filosofia. Descobriu o teatro aos 30 anos e foram os próprios alunos dela que lhe pediram para criar um grupo de teatro. Acabou por o fazer, na Escola Secundária Pinheiro e Rosa. Mais tarde, precisamente há 10 anos, depois de um feedback tão positivo em duas décadas de ´Tapete Mágico´, decidiu fundar o Curso Profissional de Teatro, também na Escola Secundária Pinheiro e Rosa. Hoje o curso ainda se mantém, mas na Tomás Cabreira e foi até replicado para Albufeira», explica ao «barlavento», o jovem farense.

«Desde os meus três anos que via peças de teatro e andava em ensaios com os atores. Se não fosse a minha mãe, não estava virado para este meio que me trouxe ao Cinema. Se não fosse ela, não tinha alcançado o que alcancei até hoje», conclui.