Joana Mendonça, presidente da Agência Nacional de Inovação (ANI), esteve presente na ontem na abertura oficial do Algarve Tech Hub Summit (ATHS).
Na abertura oficial do Algarve Tech Hub Summit (ATHS), ontem, no Campus da Penha, da Universidade do Algarve (UAlg), Joana Mendonça, presidente da Agência Nacional de Inovação (ANI), salientou a oportunidade do momento atual: «temos uma margem importante de crescimento na área de inovação».
Joana Mendonça sublinhou o estreitamento de relações entre a ANI e a UAlg para criar valências noutras áreas além do Turismo.
«Só com um trabalho colaborativo conseguimos chegar mais longe. Há um potencial de crescimento para valorizar a inovação que se faz no Algarve», afirmou.
Na cerimónia participaram também Paulo Águas, Reitor da UAlg, Miguel Fernandes, presidente da Associação Algarve Evolution, Francisco Serra, presidente da Associação Algarve STP – Systems and Technology Partnership e José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.
Os intervenientes valorizaram o trabalho conjunto desenvolvido por entidades públicas e privadas para materializar o ecossistema tecnológico que começaram a desenhar há quase uma década.
«O Algarve Tech Hub Summit traz notoriedade à região, o que de outra forma seria inalcançável», sublinhou Francisco Serra, um dos mentores do projeto que visa promover a inovação e a tecnologia na região.
Durante a manhã, abordou-se o tema «Sistemas Alimentares Sustentáveis», nas sessões promovidas pela AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve.
A tarde, foi dedicada à Arte Digital, pelo Museu Zer0. O artista brasileiro Emanuel Pimenta refletiu sobre a forma como a tecnologia influencia o pensamento e as ações.
«Não acredito que a tecnologia mude a nossa forma de ser, a tecnologia somos nós em mudança», defendeu.
Emanuel Pimenta olha para a história da tecnologia como uma história de mudanças comportamentais sobre as quais se deve refletir.
Na apresentação, deu a conhecer muitas das suas ideias e obras que surpreenderam pela inovação e identificou as mudanças trazidas pelo mundo digital, como o fim dos livros ou a inteligência artificial em substituição do humano.
«Neste mundo avassalador de entretenimento e consumo contínuo, a arte está-se a extinguir e aspessoas estão-se a acomodar ao conhecimento já adquirido e à repetição do que conhecem», argumentou.
Tudo o que não se pode dizer do seu percurso artístico, sempre a desafiar os modelos, a experimentar, a explorar novas linhas de pensamento, na comunicação, na arquitetura e na música.
Pimenta colaborou, entre outros, com o compositor americano John Cage, com o coreógrafo Merce Cunningham ou com o filósofo suíço René Berger, com quem dirigiu os primeiros festivais de videoarte e de arte eletrónica no mundo.

Joana Miranda, coordenadora do Braga Media Arts, apresentou o modelo desenvolvido por Braga enquanto Cidade Criativa da Unesco e integrante desta rede de 17 cidades em todo o mundo de Media Arts, que ajudou a posicionar a cidade na corrida ao título de Capital Europeia da Cultura 2027.
Pedro Alves da Veiga, artista transdisciplinar e investigador, refletiu sobre a desfuncionalização, a dessensibilização e o desvio dos conceitos artísticos e sobre a economia da experiência que está a mudar a forma como se vive e observa a arte e os espaços expositivos.
Jorge Semião, presidente do conselho técnico-científico do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve (UAlg), e Mirian Tavares, professora associada da UAlg, fecharam a sessão.
Foi apresentada uma mostra de obras de arte digital realizada por artistas acompanhados pelo projeto transfronteiriço Magalhães.
Hoje, o ATHS continua nas instalações do NERA, na zona industrial de Loulé, com a conferência internacional Inova Algarve 2.0 – Inovação e Turismo.
José Apolinário: «o Ecossistema de Inovação na área digital está a mudar»
Durante a sua intervenção, José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento (CCDR) da Região do Algarve, valorizou o caminho percorrido.
«Em 2009, tínhamos 645 empresas de alta e média tecnologia com 1265 postos de trabalho; em 2019, chegámos a 778 empresas e 1885 trabalhadores: um aumento de 49 por cento. Estamos a trabalhar para que com o apoio dos fundos europeus, até 2027, o emprego no sevtor digital no Algarve cresça, no mínimo, mais 50 por cento», estimou.
Apolinário destacou ainda «o salto registado na disponibilização de infraestruturas e espaços para incubação empresarial e promoção da competitividade, de base tecnológica e não tecnológica: em 2017, o mapeamento das infraestruturas de ciência, tecnologia e de incubação, contava com 15 espaços em sete municípios. Na estratégia Algarve 2020 contabilizavam-se mais de 40 espaços em 10 concelhos. Até final do ano estima-se atingir mais de 60 espaços, de natureza pública e sobretudo também privada, abrangendo os 16 municípios da região».
O Algarve tem pela frente dois desafios: a aposta nas Qualificações, em linha com as necessidades do mercado de trabalho e em alinhamento com os domínios da Estratégia Regional de Especialização Inteligente (EREI), que segundo Apolinário, vão contribuir para a diversificação da base económica regional.
Para isso, em conjunto com a UAlg e com os municípios estamos «mobilizados e a fazer tudo ao nosso alcance para melhorar as infraestruturas na Universidade, no Campus de Gambelas em Faro e no Barlavento, designadamente com um futuro Campus de Portimão. Na região, a taxa de escolaridade do nível de ensino superior entre os 30 e 34 anos de idade é de 33,8 por cento. Em Portugal, a média nacional é de 40 por cento. Precisamos de nos mobilizar, de ter a ambição de chegar a 40 por cento até final de 2027».
Em relação às PME, «sejamos exigentes connosco próprios e coloquemos o foco no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o qual mobiliza 22 por cento do total de fundos para o target digital, destacando-se 650 milhões de euros na medida empresas 4.0. Esta é uma excelente oportunidade para as empresas da região».
«A nossa prioridade é o investimento em investigação e ciência. Muito embora tenhamos atingido em 2020 o montante máximo de investimento em investigação e ciência da última década, 0,49 por cento do PIB gerado na região, sabemos bem que este montante está muito aquém da nossa ambição. Por isso é tão importante o alinhamento dos investimentos e dos diversos atores regionais com a Estratégia Regional de Especialização Inteligente. Todos sabemos que uma região competitiva e mais coesa precisa de melhorar as condições de contexto, na mobilidade sustentável e no acesso à habitação, mas sobretudo precisamos de mais conhecimento, de mais inovação e de mais empreendedorismo», concluiu José Apolinário.



