Alexandre Pereira, deputado municipal do PAN em Olhão, visitou a obra do novo Centro de Recolha Oficial de Animais (CROA), um espaço esperado há décadas e que está em fase final de construção.
«Existe uma diferença evidente desde a nossa primeira reunião com a autarquia, em 2020, onde destacámos que uma aposta no bem-estar animal deveria priorizar campanhas de esterilização em massa, como meio mais imediato de minorar o problema do abandono e travar o aumento do número de animais errantes, realizando protocolos com mais clínicas veterinárias para aumentar o número de esterilizações, apostar em campanhas de sensibilização e adoção responsável, apoiar as dívidas que associações e cuidadores informais vão acumulando nas clínicas veterinárias para tratar e cuidar dos animais abandonados que são da responsabilidade da autarquia, havendo uma necessidade imediata de aumentar os valores dos subsídios às associações», considera o deputado do PAN, em nota enviada ao barlavento.
Depois de «diversas dificuldades e adversidades durante a construção», a conclusão da infraestrutura do novo CROA está prevista para o final do verão. Contará com um espaço para 60 felinos, 150 canídeos e ainda um local para equídeos.
O espaço, diz o deputado, estará ainda equipado com um local específico para adoções, onde os possíveis tutores poderão passar algum tempo com os animais até que a adoção seja aceite.
A equipa responsável pelo CROA deverá ser composta por três médicos veterinários, no entanto, depois da saída dos dois veterinários municipais em 2023, Olhão viu-se sem um veterinário a tempo inteiro durante alguns meses, «o que veio colocar ainda mais pressão na resolução dos problemas que enfrentamos diariamente».
Entretanto, no início de abril entrou ao serviço um novo veterinário, «com o qual esperamos reunir em breve».
Durante a visita, «identificámos alguns pormenores, como o facto de os alojamentos para os canídeos estarem muito perto dos alojamentos para os felinos, o que poderá provocar stress e comportamentos agressivos nos animais, pelo que sugerimos que seja feito um esforço para entre os espaços colocar uma barreira acústica».
Por outro lado, pelo facto de o CROA estar muito isolado, a segurança do espaço foi também uma preocupação apontada.
Ainda assim, «este novo CROA não vem resolver os problemas que ainda se fazem sentir no dia a dia. Continua a não existir um regulamento de proteção, saúde e bem-estar animal; é urgente criar um Banco Alimentar Animal para famílias carenciadas, ajudando assim a minimizar a problemática do abandono animal por falta de recursos; a aplicação dos programas CED (Captura, Esterilização, Devolução) deverá ser mais eficaz e com maior corresponsabilidade por parte do município de Olhão; e deverá também existir uma aposta forte numa política de educação/sensibilização sobre o tema da Proteção e Bem-Estar Animal à população em geral», conclui Alexandre Pereira.

