Castro Marim vê concretizado o projeto de água reciclada da ETAR de Vila Real de Santo António (VRSA) que garante manutenção dos campos de golfe.
Foi assinado o primeiro contrato de manutenção dos campos de golfe através de água reciclada, um fornecimento pelo sistema multimunicipal de abastecimento de água em alta da Águas do Algarve, no dia 3 de julho.
Castro Marim vê assim concretizado o compromisso assumido aquando da aprovação dos empreendimentos turísticos de golfe, cerca de 2005, cuja execução presumia, desde logo, que a nova ETAR, à data uma obra deste município e de VRSA, pudesse utilizar as águas residuais para rega, particularmente da componente golfe.
Hoje, o sistema de tratamento da ETAR de Vila Real de Santo António (VRSA) recebe efluentes das localidades de VRSA, mas também de Altura, Praia Verde, Cabeço, São Bartolomeu, Junqueira, Monte Francisco e Casto Marim, conduzidos através de um sistema intercetor elevatório composto por 14 elevatórias com 33 quilómetros de extensão, tendo ficado, desde logo, construída a conduta elevatória de encaminhamento da água tratada para os campos de golfe de Castro Marim, atualmente Castro Marim Golfe & Country Club e Quinta do Vale.
Os dois empreendimentos em exploração, com consumos de água dependentes das barragens e com um volume que pode chegar até 1 milhão de metros cúbicos (m³), e o agudizar da situação de seca, determinaram a constituição de um grupo de trabalho, por impulso da Câmara Municipal de Castro Marim, com a Águas do Algarve, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e os promotores dos empreendimentos.
Este é o primeiro empreendimento garantido, mas com compromissos futuros para o Empreendimento de Almada D’Ouro, Corte Velho, e no sistema litoral, para o empreendimento Verdelago.
Em paralelo, a esta conjugação de esforços, durante a discussão do emergente Plano de Eficiência Hídrica do Algarve, esteve-se na eminência de cortar no abastecimento aos campos de golfe, por parecer a medida pública com maior aceitação.
No entanto, em consciência de que os campos de golfe representam apenas 7 por cento do consumo da massa de água global da região, a agricultura 56 por cento e o consumo público a rondar os 33 por cento, no Sotavento algarvio, esta medida tornar-se-ia, a falência destes projetos turísticos, outrora o que a região considerara projetos de interesse nacional, hoje já grandes empregadores e com atividades económicas consolidadas.
Além da rega aos dois empreendimentos, na senda da eficiência hídrica, Castro Marim está também a trabalhar no sentido de que a água reciclada seja aproveitada para outros fins, como a rega de jardins e a agricultura.
No âmbito da assinatura do contrato de fornecimento de água para Reutilização (ApR) entre a Águas do Algarve e o Castro Marim Golfe, que aconteceu com a presença do secretario de Estado do Ambiente, Hugo Pires, a vice-presidente do município de Castro Marim, reiterou a necessidade de avançar com a retenção de água da Ribeira da Foupana, uma aposta na rede de charcas.
«Hoje, a ribeira está quase seca e nem as espécies que supostamente acolhe têm condições de sobrevivência. É uma inevitabilidade olhar para o nordeste algarvio com as suas especificidades, bem distantes da realidade do país», salientou Filomena Sintra ainda, acrescentando que a forma de combate à desertificação passaria por deixarmos de ter o estigma de uma nova barragem ou transvase da ribeira.

