Plataforma Água Sustentável (PAS) avisa que, mesmo com o recém anunciado financiamento total dos projetos, apenas 5% da rede de condutas no Algarve será intervencionada.
A Plataforma Água Sustentável (PAS) saudou hoje o anúncio de financiamento a 100% para projetos de gestão eficiente da água no Algarve, mas alerta que o impacto será reduzido se não forem tomadas medidas políticas complementares.
O protocolo assinado a 24 de setembro, em Faro, entre o Fundo Ambiental e a Autoridade de Gestão do Programa Regional ALGARVE 2030 prevê apoios integrais para obras de redução de perdas, combate à intrusão salina nas redes, reutilização de água e monitorização dos recursos hídricos.
Na ocasião, tal como o barlavento noticiou, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que estas são áreas prioritárias para a Bruxelas, tal como a defesa.
No entanto, a PAS sublinha, em nota enviada hoje às redações, que o Algarve tem 5.668 quilómetros de condutas de abastecimento e que, mesmo que os 100 milhões de euros anunciados fossem aplicados apenas na redução de perdas, a intervenção chegaria a 284 quilómetros de rede, ou seja, cerca de 5%.
Somando o investimento previsto no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), apenas 7% da rede seria intervencionada.
«Esta iniciativa de financiamento a 100% é um primeiro passo, mas tem de ser seguida de muitos outros para alcançar resultados consistentes e efetivos», defende a plataforma, que critica a insistência na construção de novos equipamentos em vez de priorizar a modernização das condutas existentes.
Para a PAS, o entrave não está na falta de dinheiro, mas na «vontade política dos municípios» para executar projetos de redução de perdas e reutilização.
Considerando que a gestão eficiente da água é «condição fulcral para o futuro do Algarve», a PAS insta o governo a criar mecanismos que garantam resultados concretos.
A plataforma defende, entre outras medidas a adotar pelo governo, a definição de indicadores e metas obrigatórias, como a fixação de uma percentagem máxima de perdas nas redes e de uma percentagem mínima de reutilização.
Pede ainda a implementação de um sistema de monitorização e fiscalização capaz de detectar deficiências e assegurar linhas de financiamento adequadas para as resolver.
Propõe, por fim, a criação de um regime de incentivos que beneficie os municípios cumpridores, nomeadamente através da prioridade no acesso a fundos públicos.
Face à proximidade das eleições autárquicas, a PAS apela também à população para que se informe sobre as propostas dos candidatos relativamente ao que defendem para uma melhor gestão dos recursos hídricos nos seus concelhos.
Criada por cidadãos e entidades, a Plataforma Água Sustentável atua em defesa de medidas eficazes para combater a escassez estrutural de água na região.
Foto: Bruno Filipe Pires