Para travar o aumento de estudantes que abandonam os estudos devido a dificuldades económicas, foi criado o selo «Empresa Amiga do Estudante da UAlg».
Saúl Neves de Jesus, vice-reitor da Universidade do Algarve, autor da ideia, explica que o galardão «será entregue a um conjunto de empresas que selecionámos e que se comprometam a criar empregos a part-time e a contratarem estudantes da nossa academia. Empregos em regime de tempo parcial para que os estudantes possam ganhar algum dinheiro de forma compatível e conciliável com as exigências da vida académica. Esta modalidade tem de ser cumprida pela empresa empregadora. Preferimos que contrate, por exemplo, dois estudantes, que se vão alternando. Um trabalha de manhã e outro à tarde, por exemplo, de forma a que ambos tenham tempo para estudar», diz.
«Quisemos também que a questão da proximidade aos campi (de Faro e Portimão) fosse contemplada para que o aluno não perca muito tempo na deslocação. Aliás, houve vários aspetos a ter em conta. A empresa acolhedora será também avaliada e monitorizada, não é só ter o selo. É preciso que tenha estratégias que tornem compatível a vida académica com o trabalho: horários flexíveis, sensibilidade à necessidade que o empregado tem para estudar, atenção às datas dos exames, entre ouras variáveis», explica o vice-reitor da UAlg ao barlavento.
As empresas já se encontram a assinar as cartas de compromisso e todos os estudantes interessados na iniciativa já receberam o formulário de inscrição.
Um trabalho que fica a cargo do Gabinete Alumni e Saídas Profissionais. Já em relação às empresas interessadas, «pedimos às unidades orgânicas da UAlg para completarem a lista e foram sempre surgindo mais. Vão surgir também restaurantes e estabelecimentos que não estavam inseridos no projeto inicial mas que o reconhecem. Mais tarde os resultados serão avaliados », conclui.
O selo «Empresa Amiga do Estudante da UAlg» poderá ser utilizado em todos os seus materiais de comunicação, servindo como símbolo de reconhecimento deste compromisso no âmbito da política de responsabilidade social.

Abandono escolar cresceu no ano letivo 2019/2020
Dentro do Gabinete de Apoio à Inovação Pedagógica (GAIP), da Universidade do Algarve (UAlg), em 2019 foi criando o SOS Abandono, um serviço acessível por email, a todos os alunos, caso sintam que as dificuldades que enfrentam possam colocar em risco os estudos ou até a possível desistência do curso.
No primeiro ano letivo em que surgiu o serviço, registaram-se pedidos de ajuda de 154 estudantes.
No ano seguinte, 2019-2020, esse número subiu para 190, com uma eficácia de intervenção realizada pela academia superior a 30 por cento, em ambos os anos letivos.
Apesar de ainda não terem sido contabilizados os valores deste ano, a verdade é que Saúl Neves de Jesus, vice- reitor da instituição algarvia, admite ao barlavento que o número será superior, sobretudo nos «estudantes internacionais, onde sentimos um abandono grande. Em alunos que estavam cá a tirar o curso, tornou-se difícil suportarem as viagens e o estudo à distância. Conseguimos compreender o porquê de abandonarem ou quererem abandonar os estudos. Em muitos casos é devido a carências económicas, que com a tornaram-se mais evidentes».
Consultas de psicologia da UAlg quase que triplicaram
O Gabinete de Psicologia dos Serviços da Ação Social da Universidade do Algarve (UAlg) funciona há 17 anos e está focado sobretudo nos estudantes, que pagam um euro por cada consulta.
De acordo com Saúl Neves de Jesus, vice-reitor da academia e diretor do curso de Doutoramento em Psicologia, «depois de vários anos com um número de consultas a rondar as 400 anuais, em 2019, esse valor alcançou as 765. Já em 2020, o número quase que duplicou para as 1236 consultas até novembro, tendo mesmo ultrapassado as 1300 até ao final do ano. Houve um aumento muito significativo da procura na comunidade académica e dos estudantes em particular», diz ao barlavento. Uma tendência que parece acompanhar os estudos.
«Os dados revelam isso mesmo. Tem havido uma procura maior por apoio psicológico e os estudos mostraram níveis de ansiedade mais elevados. Acho que isso aconteceu devido à pandemia e ao confinamento». Ainda na opinião do coordenador do Fórum Nacional de Psicologia, «essa procura deverá manter-se porque os problemas da pandemia vão continuar e porque cada vez mais temos uma resposta preventiva. Há uma série de ansiedades relacionadas a esta pandemia e todas essas questões estão associadas a receios por parte das pessoas. Às vezes temos de diluir a carga emocional, associada às cognições que as pessoas têm para que a componente emocional e comportamental se possa esbater e encarem as coisas com mais tranquilidade». Daí a importância de um acompanhamento psicológico, mesmo que virtual.