Mais de 190 mil pessoas subscreveram hoje o abaixo-assinado da CGTP contra o pacote laboral, entregue hoje em São Bento ao primeiro-ministro.
Uma delegação da comissão executiva da CGTP entregou hoje, na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, um abaixo-assinado com mais de 190 mil assinaturas para «derrotar este pacote laboral».
«O Governo já teve todas as hipóteses de abrir os olhos», afirmou o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em declarações aos jornalistas em Lisboa, após a manifestação realizada hoje em frente à Assembleia da República e minutos antes de uma delegação da central sindical se deslocar a São Bento para entregar o abaixo-assinado com «mais de 190 mil assinaturas» contra o pacote laboral.
Tiago Oliveira referiu que está em causa «um ataque» ao mundo do trabalho e prometeu dar «continuidade à luta» caso o executivo liderado por Luís Montenegro não recue e retire a proposta da discussão.
Questionado pelos jornalistas, o líder da CGTP reiterou que «todas as formas de luta estão em cima da mesa» e garantiu que a central sindical «não vai abandonar os trabalhadores».
«Vamos continuar a exigir uma resposta do Governo a este ataque que está em curso. Vamos continuar a exigir do Governo a retirada deste pacote laboral», sublinhou, prometendo não «dar descanso».
Na reta final da manifestação, Tiago Oliveira dirigiu-se aos milhares de dirigentes, delegados e ativistas sindicais, apontando que o Governo tem o objetivo de «alterar profundamente as relações de trabalho» e a «correlação de forças, ainda mais a favor do patronato», considerando uma «desfaçatez» apresentar «um documento desta dimensão».
«Normaliza e aumenta ainda mais a precariedade, cria as ferramentas necessárias para ir mais longe na desregulação dos horários de trabalho, facilita ainda mais os despedimentos, ataca a contratação coletiva, ataca o direito de greve e limita a entrada dos sindicatos nos locais de trabalho», afirmou, indicando que se trata de um executivo «comprometido com os grandes e poderosos».
O líder da CGTP disse ainda que o anteprojeto do Governo de revisão da legislação laboral «é para rejeitar» e criticou os sucessivos adiamentos da reunião que a CGTP tem prevista com o primeiro-ministro.
Numa altura em que o país está a poucos dias de ir a votos para escolher o próximo Presidente da República, deixou um aviso: «O Presidente da República não pode ser um mero observador. Não pode ser apenas um figurante. É alguém que faz um juramento e que jura defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República».
Tiago Oliveira realçou ainda que a Constituição «nasce da luta dos trabalhadores» e apelou para que, no próximo domingo, os eleitores se desloquem às urnas para decidir «pelos direitos dos trabalhadores», referindo que «contra o pacote laboral também aí se insere».
«A par da exigência da retirada do pacote laboral, é fundamental a luta reivindicativa em cada empresa, em cada local de trabalho», afirmou ainda, reivindicando um aumento salarial de 15%, num mínimo de 150 euros para todos os trabalhadores, e a fixação do salário mínimo nacional nos 1.050 euros.