easyJet estima um impacto anual superior a 650 milhões de euros no PIB do Algarve e admite estudar uma base anual em Faro para combater a sazonalidade.
A easyJet estima em mais 650 milhões de euros o impacto anual da sua operação no Produto Interno Bruto (PIB) do Algarve e admite que o próximo ciclo da base de Faro deve passar por uma aposta mais séria numa operação menos sazonal, com a possibilidade de vir a funcionar ao longo de todo o ano e não apenas durante o verão IATA.
A companhia aérea celebrou hoje o quinto aniversário da base no Aeroporto de Faro com um almoço com os vários parceiros, num pomar na zona do Besouro, numa parceria simbólica com a AlgarOrange – Associação de Operadores de Citrinos do Algarve.
A efeméride serviu para afirmar a ligação da easyJet à região, mas também para colocar em cima da mesa, o principal desafio da companhia no sul do país: transformar Faro num mercado menos dependente do verão e do tráfego inbound.
«Felizmente, hoje estamos aqui, cinco anos depois, a operar 18 rotas no Algarve», entre as quais, a nova ligação entre a Newcastle e capital algarvia, afirmou José Lopes, diretor-geral da easyJet em Portugal.
«Oferecemos, este verão, 1,7 milhões de lugares», um aumento de 3% face ao ano anterior. Em termos anuais, «disponibilizamos 2,1 milhões de lugares de e para a região», o que a torna a segunda maior companhia aérea a operar no Algarve.
Em Faro, «neste momento operamos nove aviões no período de verão, cinco não baseados e quatro baseados, e durante o inverno só operamos os cinco não baseados», contabilizou.
Em termos históricos, a lowcost opera em Faro desde 1999. Desde então, já transportou cerca de 27 milhões de passageiros.
«Isto são pessoas, mas é também um impacto [acumulado] brutal na economia regional», afirmou, que no total, ultrapassou os 8,3 mil milhões de euros ao longo dos últimos 27 anos.
Segundo o responsável, «o impacto anual da easyJet na economia regional do Algarve, em termos de PIB, é neste momento superior a 650 milhões de euros». «Portanto, acho que somos, sem dúvida, um parceiro que acredita na região».
Faro «não é só um ponto no nosso network»
José Lopes considerou que «Faro não é só um ponto no nosso network. É um ponto de grande destaque», e integra o grupo dos chamados Big Five da companhia.
«É um dos grandes destinos de verão de toda a Europa, o único português — os outros quatro são espanhóis —, mas também porque é um destino com uma relevância enormíssima e ainda com muito potencial para continuar a explorar», acrescentou.
O gestor assinalou ainda que o sul de Portugal foi determinante para a recuperação da empresa no pós-COVID-19.
«Quando, em 2021, no meio de uma crise muito difícil, em que toda a gente ainda estava a cortar voos e a decidir quanto tempo iríamos demorar até voltar a voar, apresentámos aquilo que podia parecer a muitos uma ideia louca — investir e crescer no meio de uma pandemia», recordou José Lopes.
«Era um projeto agressivo, visionário, e conseguimos apresentar um pacote estratégico, a implementar há cinco anos, que agora completa o seu primeiro ciclo. O nosso board viu-o como a decisão correta a tomar naquele momento. Portugal e Faro lideraram a retoma e a recuperação rápida da easyJet no pós-pandemia», afirmou.
O responsável aproveitou a ocasião para agradecer a todos os parceiros regionais. «Todos eles, nesse momento, abraçaram o projeto e deram um esforço importante numa altura de insegurança. Estavam todos em casa e regressaram ao trabalho para lançar este projeto», disse.
Base anual é objetivo, mas depende da procura e dos custos
O combate à sazonalidade foi um dos temas centrais das intervenções de José Lopes. «Queremos continuar, como tem sido sempre o nosso objetivo, a passar a mensagem de que o Algarve não é só verão», afirmou.
Uma das propostas é aumentar o tráfego gerado a partir do próprio mercado algarvio.
«Existe ainda este desafio, que certamente iremos trabalhar em conjunto no futuro, de combater cada vez mais a sazonalidade e impulsionar também o tráfego outbound, para que o Algarve deixe de ter 95% a 98% do mercado inbound e passe a ser mais equilibrado, pelo menos ao nível do Porto e de Lisboa, onde temos 25% a 30% de passageiros gerados no próprio mercado», explicou.
«Acreditamos que existem oportunidades. Temos algumas em análise, em pipeline. No próximo ciclo de cinco anos, temos de olhar seriamente para essa tentativa de passar a ter uma base possivelmente mais anual», decisão que dependerá de condições económicas sólidas.
«Para isso, temos de fazer com que os business cases sejam fortes. Neste momento, a conjuntura internacional não está do nosso lado. Os custos de combustível subiram exponencialmente», disse. Mas «queremos acreditar que começam agora a baixar, para que estes planos possam voltar a estar em cima da mesa. É algo que está no nosso plano de trabalho para os próximos cinco, dez anos», acrescentou.
Diversificação da oferta algarvia, um fator decisivo
«Gostaríamos todos, sem dúvida, que fosse o mais rapidamente possível. Mas vai ter muito a ver com a conjuntura internacional e com a própria diversificação do turismo aqui no Algarve», reconheceu.
O responsável apontou as segundas residências, os residentes estrangeiros, os eventos e a ligação emocional de descendentes de portugueses à região como fatores que podem ajudar a reforçar as épocas baixa e de charneira.
«É importante que continue a haver oferta durante o período de inverno. É uma área que tem vindo a crescer com a residência de pessoas no Algarve, o que faz com que o período de inverno também seja mais movimentado. Essas pessoas residem cá o ano inteiro, visitam familiares e trazem familiares para as visitar. As segundas residências têm um papel importante nesse desenvolvimento», disse.
Por outro lado, «há eventos que têm vindo a surgir no calendário da região e que nos ajudam também a continuar a potenciá-la», afirmou.
José Lopes defendeu ainda que o Algarve deve ser visto como destino a proteger. «Há passageiros que vêm, não sendo eles da nossa diáspora algarvia, chamemos-lhe assim. São imigrantes de segunda ou terceira geração, que continuam a vir cá porque os pais sempre vieram, porque os avós vinham. Também esses passageiros devem ser protegidos quando existem disrupções», afirmou.
Ou seja, «o Algarve deve ser considerado um destino a proteger para essas gerações, porque são descendentes de portugueses que vivem lá fora e que, mais tarde, podem vir a investir aqui e ajudar a sustentar e a fazer crescer o destino no futuro», acrescentou.
Turismo do Algarve confiante e agradecido
Por sua vez, André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, confirmou que a abertura da base da easyJet em Faro foi um sinal de confiança na região, numa altura de instabilidade.
«Recordemos que, em 2021, estávamos a sair de uma pandemia, com uma incerteza muito grande sobre aquilo que seria a retoma da atividade turística, a retoma da própria aviação e o nível de conectividade que existia em tantos aeroportos em todo o mundo», afirmou.
«O facto de a easyJet ter apostado precisamente no Algarve foi para nós muito importante e relevante. Entendemos que foi também um sinal de confiança na oferta, nos agentes que a região tem e nas parcerias que encontrou aqui, não só ao longo destes cinco anos, mas também ao longo das mais de duas décadas em que já voa para a capital algarvia», afirmou.
Além disso, «essa confiança que a decisão da easyJet nos transmitiu foi também importante para aprofundarmos todo o trabalho que temos vindo a desenvolver, em particular com uma proximidade e uma articulação muito grandes», com o Aeroporto de Faro e com o Turismo de Portugal.
«A conectividade é fundamental quando apostamos na diversificação dos mercados. É fundamental para podermos trazer novos e mais clientes à nossa região. É também fundamental o trabalho que temos feito convosco e para o qual vocês contribuíram bastante, ao trazer mercados que valorizam a nossa oferta», disse.
O responsável apontou os resultados turísticos de 2025 como prova do caminho feito.
«Basta olharmos para os números de 2025: quando vemos valores recorde em termos de proveitos turísticos dados pelo alojamento turístico, número recorde de passageiros no aeroporto e mais de 5,3 milhões de hóspedes na região, muitos deles transportados por todos vocês», afirmou.
«Costumamos dizer que estes resultados que evidenciamos tantas vezes são o resultado e o contributo de muitos. O setor público, o setor privado, as entidades regionais, as entidades nacionais, as empresas, as associações e o aeroporto. Todos nós, no trabalho articulado que fazemos todos os dias, contribuímos para estes resultados», disse.
CCDR Algarve destaca turismo como «mola-chave»
José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, destacou o papel da easyJet no desenvolvimento regional e considerou que o turismo continua a ser a principal especialização económica da região.
«Naturalmente, o turismo é a nossa especialização natural. Independentemente dos diferentes programas regionais de ordenamento colocarem sempre a necessidade de termos diversificação económica, seja na componente digital, seja na saúde, seja também no agroalimentar, o turismo é a nossa mola-chave», afirmou.
José Apolinário referiu ainda o Algarve registou 94,15 pontos no índice global de desenvolvimento regional, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2024, revelados na segunda-feira, dia 15 de junho.
«Durante muitos anos, representávamos 4% do Produto Interno Bruto. Em 2024, representávamos 4,94%. Quando saírem os dados de 2025, a minha expectativa é que cheguemos finalmente aos 5%, que é um objetivo que já vem, pelo menos, há 15 anos, na utilização dos fundos» europeus, afirmou.
O presidente da CCDR Algarve referiu ainda que a easyJet representa «cerca de 20%» da operação no Aeroporto de Faro, o que a torna «um parceiro muito importante» para a região, com impacto em todas as outras atividades económicas.
«Quero sublinhar o emprego, a promoção do Algarve de excelência, de todo o território, o contributo para o desenvolvimento regional e o contributo da vossa atividade, do turismo, para a dinamização de outras atividades», disse.
«A vossa base foi criada há cinco anos e quero sublinhar muito o contributo que têm dado para a região. Quero transmitir a todos os vossos responsáveis o contributo que têm dado para o progresso e para o crescimento do Algarve», referiu.
Por fim, revelou que, «com a ANA, têm havido esforços consistentes de afirmação do Aeroporto de Faro, também no contexto da descarbonização e do contributo em termos de clima», e há «mais uma candidatura em marcha».
«Da nossa parte, fica o agradecimento. Dentro daquilo que é o nosso papel, de gestão dos fundos e de articulação regional, desde logo porque nos preocupa o interesse público, a política pública e os resultados, independentemente dos ciclos políticos», disse.
Aeroporto de Faro valoriza voos em contraciclo
Pedro Bettencourt, gestor operacional do Aeroporto de Faro, em representação do novo diretor Edgar Carvalho, que não pode estar presente, destacou a importância operacional de uma base aérea na infraestrutura aeroportuária.
O responsável sublinhou que uma base permite iniciar voos logo nas primeiras horas do dia, o que ajuda a usar períodos em que a infraestrutura tem mais disponibilidade operacional.
«É especialmente importante, pois permite viajar em contraciclo. Ou seja, a primeira onda de voos faz-se logo a partir das 06h00 e vai ocupar as horas do dia em que não estávamos saturados», afirmou.
Pedro Bettencourt explicou que a maior pressão operacional do Aeroporto de Faro ocorre noutro período do dia.
«Saturados no sentido em que a nossa capacidade não estava toda tomada, ao contrário do período entre as 08h30 e as 13h00, em que a capacidade declarada do aeroporto está toda tomada», disse.
Pedro Bettencourt destacou ainda a forma como a companhia se relaciona com o universo aeroportuário. «A verdade é que a easyJet é uma companhia que não traz problemas. Há companhias que trazem desafios. A easyJet habituou-nos a trazer soluções e a ultrapassar os problemas ao longo dos anos. Isto é objetivo. Não é figurativo, nem é semântica», disse.
O responsável da ANA – Aeroportos de Portugal destacou ainda as ligações da companhia a mercados europeus relevantes para a região.
«Ligam Faro a um conjunto de cidades que trazem muitos passageiros e reforçam as acessibilidades do Algarve à Europa, ao Reino Unido, a França, à Suíça e aos Países Baixos. Isto resulta num crescimento da região a todos os níveis», afirmou.
«Esta celebração é também uma oportunidade para reafirmar o compromisso da ANA. Estamos e estaremos sempre lado a lado com a easyJet, procurando desenvolver novas oportunidades de negócio ou reforçar as existentes», rematou.
Laranja do Algarve deu mote à celebração
A celebração dos cinco anos da base de Faro juntou a cor laranja da easyJet à Laranja do Algarve, numa iniciativa realizada em parceria com a AlgarOrange – Associação de Operadores de Citrinos do Algarve.
A companhia promoveu também o sorteio «Laranja Dourada», que premiou cinco passageiros que partiram do Aeroporto de Faro com voos de ida e volta para o Algarve.
Segundo José Lopes, a iniciativa procurou unir «todas essas pontas»: a cor da companhia, a laranja algarvia, a parceria com os produtores e a ligação simbólica da easyJet à região.
«Une todas as pontas. Estamos a oferecer aos nossos passageiros cinco oportunidades para ganharem viagens de ida e volta. Escolhem uma laranja à chegada e aqueles que tirarem a laranja dourada ganham o prémio», explicou.
Por fim, referiu que «sentimo-nos uma companhia algarvia, não só por partilharmos a cor com este elemento-chave da identidade algarvia, que é a laranja. A easyJet tem um laranja muito próprio. Temos registada a nossa cor de laranja em Pantone», afirmou.
E «temos também a relação qualidade-preço que a laranja do Algarve usa para se impor no mercado é aquilo que está no ADN da easyJet, na sua definição como companhia para se impor no mercado», comparou.
O diretor-geral da easyJet em Portugal destacou também o emprego direto criado pela base, que emprega 150 pessoas. «Depois, existe também todo o contributo indireto através do impulso ao crescimento do turismo, da restauração, dos transfers, dos ubers, dos hotéis, de toda a economia que também ganha com essa relação e com essa existência», afirmou.
«O nosso objetivo continua a ser o mesmo: queremos crescer. E somos laranja; aqui, isso ajuda. Esperemos que estes cinco anos, e estes 27 anos no Algarve, sejam apenas um pequeno começo de algo que vai continuar a ser, certamente, uma relação muito frutífera», concluiu.





