Plataforma contesta projetos eólicos no Algarve por impacto na biodiversidade, alertando para riscos para aves de rapina, lince-ibérico e populações no nordeste algarvio.
A Plataforma pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve e do Alentejo (PPSBAA) pronunciou-se contra a proposta de modificação dos projetos eólicos associados à hibridização de centrais fotovoltaicas no Algarve, defendendo um parecer desfavorável na Avaliação de Impacte Ambiental.
Em causa estão projetos localizados em Viçoso, Pereiro, São Marcos e Albercas, cuja alteração se encontra em consulta pública desde o dia 2 de abril e até dia 17.
No parecer submetido, a Plataforma considera que a proposta «não resolve os problemas estruturais» já identificados anteriormente e continua a causar «impactos significativos e muito significativos» nos sistemas ecológicos.
A PPSBAA, que já se tinha manifestado anteriormente contra os projetos, volta a alertar para efeitos negativos sobre a avifauna e os processos ecológicos associados à funcionalidade do território, numa zona considerada de elevada sensibilidade ambiental.
Segundo a entidade, apesar da relocalização ou redução de aerogeradores, a proposta mantém a mesma lógica de implantação, sem uma análise suficientemente robusta da sua adaptação ao território.
«O problema central do projeto mantém-se: a ocupação de um território ecologicamente sensível, que funciona como corredor ecológico multifuncional, por uma infraestrutura eólica de larga escala», refere o parecer.
A Plataforma aponta ainda a proximidade a áreas protegidas, como o Parque Natural do Vale do Guadiana e a Zona Especial de Conservação do Caldeirão, defendendo uma abordagem mais prudente na avaliação do projeto.
Entre as espécies potencialmente afetadas estão aves de rapina como a águia-de-Bonelli, a águia-real, a águia-imperial ibérica, o açor e o bufo-real, devido ao risco de colisão e à alteração das rotas.
Também mamíferos como o lince-ibérico podem ser impactados, numa zona onde decorrem projetos de reintrodução da espécie.
A PPSBAA alerta ainda para possíveis efeitos sobre as populações humanas, nomeadamente ruído e impactos associados a baixas frequências e infrassons.
Por considerar que persistem riscos elevados para a biodiversidade, o território e as populações, a Plataforma defende uma decisão desfavorável à proposta.
Foto: Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).