João Almeida quer vencer a Volta ao Algarve 2026 depois de ter sido segundo classificado na última edição e chegar em boa forma à prova algarvia.
Juan Ayuso e Florian Lipowitz são os adversários mais «temidos» por João Almeida na Volta ao Algarve, uma prova que o ciclista português quer vencer pelo menos uma vez na carreira e à qual chega em boa forma.
«Ter o dorsal “1” nas costas é motivante. Esperamos terminar no primeiro lugar, que sabemos que vai ser difícil, mas vamos tentar», assumiu hoje o corredor da UAE Emirates, em entrevista à agência Lusa e à Rádio Renascença.
Na ausência do campeão em título, o dinamarquês Jonas Vingegaard, e da sua equipa Visma-Lease a Bike, coube ao segundo classificado da passada edição a responsabilidade de usar o «1», algo que não faz o melhor voltista português da atualidade sentir mais pressão na véspera do arranque da 52.ª Volta ao Algarve.
«É um objetivo que eu gostava, na carreira, de ganhar a Volta ao Algarve pelo menos uma vez», declarou, admitindo que o segundo lugar em 2025 lhe ficou «um pouquinho» atravessado por sentir que ficou «tão perto e tão longe ao mesmo tempo».
Nesta edição, que vai para a estrada na quarta-feira, 18 de fevereiro, em Vila Real de Santo António, e termina no domingo, 22 de fevereiro, no alto do Malhão (Loulé), os seus principais adversários serão, na sua opinião, o espanhol Juan Ayuso, em estreia pela Lidl-Trek, e o alemão Florian Lipowitz (Red Bull-BORA-hansgrohe), terceiro classificado do Tour 2025.
«E deve haver para aí algum outro de que eu me estou a esquecer», ressalvou.
Almeida chega à «Algarvia» com um segundo lugar na primeira prova da época, a Volta à Comunidade Valenciana, onde, embora o percurso não fosse 100% a seu jeito, acredita que esteve bastante bem: ficou a 31 segundos de Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe).
«E a forma é boa, sinto-me bem, portanto tem tudo para correr bem nesta Volta ao Algarve», avaliou.
O vice-campeão da Vuelta 2025, que na prova portuguesa será escoltado pelos compatriotas António Morgado, Rui e Ivo Oliveira, mostrou-se agradado com o «percurso ligeiramente diferente, um bocadinho mais duro» da 52.ª edição.
«É melhor para trepadores, com a subida à Fóia a ser mais dura e duas passagens no Malhão, e um contrarrelógio plano, mas diferente do habitual. [O “crono”] parece-me ser muito bom», resumiu.
Potencialmente prejudiciais podem ser os «pontos quentes» (aglomerados de sprints intermédios) introduzidos pela organização no percurso deste ano.
«Se calhar, há dias em que talvez a fuga esteja ainda na estrada, talvez não. Mas temos de lidar com as circunstâncias e temos de nos adaptar», afirmou, com o seu habitual pragmatismo.
Conquistar a Volta ao Algarve, assume, também lhe daria outro «embalo» para a Volta a Itália, agendada entre 08 e 31 de maio.
«Acho que começar também bem a temporada é sempre positivo, dá-nos confiança para as próximas corridas. Ainda tenho algumas corridas até lá [ao Giro], espero vencer mais, mas vamos tentar o nosso melhor», reforçou.
Na «corsa rosa», o corredor de 27 anos reencontrará Vingegaard, o ciclista que ficou à sua frente na Volta a Espanha.
«É um adversário muito duro e muito bom. Estivemos perto [na Vuelta de derrotá-lo], mas faltou o quase. E acho que já é motivo de orgulho, fizemos um excelente trabalho. É continuar a esforçar-me para ser ainda mais forte e tentar ganhar», destacou.
Almeida reconheceu que, quando decidiu optar pelo Giro, prova na qual subiu ao pódio como terceiro classificado em 2023 e à qual não voltou desde então, já contava que o duplo vencedor do Tour (2022 e 2023) fosse um dos seus rivais.
«Já havia rumores, já estávamos à espera que ele fosse. Se não fosse, era melhor. Mas o facto de ele ir acho que é bom para mim também. Torna a corrida mais dura, um bocadinho mais controlada também. E acho que vai ser uma bonita Volta a Itália», perspetivou.
Foto: João Almeida.