O Festival Contrapeso 2025 reúne teatro, jazz e formação em Faro e Loulé, numa edição centrada no diálogo entre arte e academia e no reforço da criação regional.
O Festival Contrapeso celebra a 5.ª edição com a programação mais longa e articulada do seu percurso. O evento decorre entre Faro e Loulé, de terça-feira, dia 25 de novembro, a segunda-feira, dia 1 de dezembro, e assume em 2025 o tema «Arte e Academia», reunindo criadores que acumulam trabalho artístico, docência e investigação numa região que regista a taxa de abandono escolar mais alta de Portugal continental.
Organizado pela Mákina de Cena, estrutura profissional com direção artística de Carolina Santos e Marco Martins, o festival ocupa oito espaços culturais das duas cidades e convoca estruturas portuguesas, brasileiras, francesas e italianas. Esta quinta edição reforça o cruzamento entre artes performativas, pensamento crítico e práticas pedagógicas.
A programação arranca na Biblioteca Municipal de Faro, terça-feira, dia 25 de novembro, com a leitura encenada «Crocodile Club», de Mickaël de Oliveira, interpretada pelo SinCera – Grupo de Teatro da Universidade do Algarve. A criação discute a radicalização política e os limites da democracia e inaugura o diálogo entre palco e academia que estrutura a programação.
No dia seguinte, quarta-feira, dia 26 de novembro, o Teatro das Figuras recebe «Ensaio Técnico», também de Mickaël de Oliveira. A peça acompanha um grupo de jovens intérpretes após três anos de residência artística e questiona fragilidades, tensões e descobertas associadas ao próprio ato de fazer teatro.

Conferências performativas, criação feminina e estreia de jazz internacional
A Biblioteca Municipal de Faro apresenta a conferência performativa «O Que Não Se Vê Do Lugar Onde Se Vê», de Sofia Cabrita com Ana Sofia Paiva, quinta-feira, dia 27 de novembro. A proposta expõe processos de investigação com máscaras e procura entender como corpo, objeto e público constroem perceção e presença.
No mesmo dia, na Casa da Mákina, em Loulé, é apresentado «SerEstando Mulheres», de Ana Cristina Colla, do LUME Teatro, peça que reúne fragmentos de várias criações e três décadas de pesquisa sobre corpo e memória.
Sexta-feira, dia 28 de novembro, a Biblioteca Municipal de Faro acolhe «Teatro Universitário Português – Uma Poética de Resistência», conferência performativa de Ricardo Correia que revisita momentos-chave da história do teatro universitário desde o Estado Novo até ao século XXI. A noite encerra no Teatro Lethes com a estreia nacional do concerto de Luigi and Pasquale Grasso 4tet, nomes centrais da cena europeia do bebop e do swing.
Tradição, jazz português e reflexão sobre Europa e migrações
O Solar da Música Nova, em Loulé, apresenta, sábado, dia 29 de novembro, duas propostas distintas. De manhã, o Teatro Dom Roberto regressa com «O Marquês de Pombal e os Jesuítas» e «Rosa e os Três Namorados», recriações históricas de José Gil que preservam a tradição dos robertos portugueses. À noite, João Paulo Esteves da Silva Trio interpreta «The River», num concerto que explora composição em tempo real e diálogos entre lirismo e experimentação.
No domingo, dia 30 de novembro, o Cineteatro Louletano apresenta «Welcome to Europe», de Ricardo Correia, peça que transforma palco em museu vivo sobre identidade europeia, discurso de ódio e políticas de fronteira. No mesmo dia, à noite, o Solar da Música Nova recebe «Fractal», do Samuel Lercher Trio com a participação de Desidério Lázaro, concerto que mistura escrita autobiográfica e sonoridades do jazz contemporâneo.
O festival encerra segunda-feira, dia 1 de dezembro, no Cineteatro Louletano, com «Kintsugi, 100 Memórias», do LUME Teatro. A criação celebra os 40 anos da companhia e propõe uma viagem fragmentada pelas crises, erros e cicatrizes da memória coletiva.

Colóquio Internacional e mesas sobre práticas artísticas
O Colóquio Internacional «Arte e Academia» decorre na CCDR Algarve e na Biblioteca Municipal de Faro, quinta-feira e sexta-feira, dias 27 e 28 de novembro. A iniciativa resulta de uma parceria entre o Mestrado em Processos de Criação da FCHS da Universidade do Algarve, o LUME Teatro da Unicamp e a Mákina de Cena. O painel inclui Ana Clara Santos, Anne Astolfe, Lúcia Romano, Raquel Scotti Hirson, Sofia Cabrita e Rui Pina Coelho.
As mesas redondas alargam o debate às práticas profissionais da região e ao impacto da formação artística nos processos de criação, com a participação de Plutão de Verão, Ao Luar Teatro, AORCA, docentes e agentes culturais.
Masterclasses e workshops reforçam a formação
A dimensão formativa assume este ano um peso inédito. Na quinta-feira, dia 27 de novembro, Mickaël de Oliveira orienta uma sessão sobre dramaturgia contemporânea na Biblioteca Municipal de Faro. No dia seguinte, sexta-feira, 28 de novembro, Anne Astolfe apresenta a pedagogia física da École Internationale de Théâtre Jacques Lecoq. No Conservatório de Música de Loulé, domingo, dia 30 de novembro, João Paulo Esteves da Silva e Bruno Pedroso conduzem a masterclass «Arte e Academia – Percursos», acreditada como ação de curta duração.

Os workshops completam a vertente prática. O treino técnico intensivo para atuadores, orientado por Jesser de Souza, decorre na Casa da Cultura de Loulé nas manhãs de sábado, domingo e segunda-feira, dias 29 e 30 de novembro e 1 de dezembro. No Conservatório de Música de Loulé, sábado, dia 29 de novembro, Luigi Grasso dirige um workshop de saxofone para instrumentistas avançados, enquanto Desidério Lázaro conduz uma sessão de iniciação à improvisação. Nesse mesmo dia, a Casa da Mákina apresenta «Aldeia-Também», da AORCA, iniciativa participativa para famílias e comunidade.
Uma edição construída em rede
A 5.ª edição do Contrapeso resulta de uma rede alargada de parceiros institucionais, artísticos e académicos que integra Cineteatro Louletano, Teatro das Figuras, Teatro Lethes, Universidade do Algarve, Conservatório de Música de Loulé, Casa do Meio-Dia, Biblioteca Municipal de Faro, CCDR Algarve, Alliance Française – Algarve e vários coletivos de criação.