Faro enfrenta fragilidades ambientais e urbanísticas, da pressão sobre a ria Formosa à falta de espaços verdes, e exige novos planos que conciliem identidade, património e sustentabilidade.
1) Cidade de ria
Apesar da ria Formosa ser um parque natural público, uma zona de natureza rica em biodiversidade, uma imensa fatia de costa protegida e enquadrada por lei, a aplicação das regras e a fiscalização são frouxas. A crescente e sempre insaciável ocupação das suas terras ribeirinhas com mais construções, o aumento exponencial de embarcações de recreio e de empresas de turismo náutico com o consequente aumento do tráfego marítimo e a poluição, o afã dos municípios limítrofes de ampliarem e construírem mais e mais marinas, tudo isto gera uma pressão cada vez mais insustentável na preservação e harmonia deste grande espaço natural do nosso litoral que a todos pertence e merece um cuidado ambiental grande. Pois num ecossistema tudo se liga e é frágil.
E tanto nós algarvios como os que nos visitam devemos ser educados para olhar e fruir o encanto da Natureza sem a perturbar e destruir. O que é possível aliando preservação com a criação de zonas de fruição públicas, espaços de lazer para ócio e prática de desportos náuticos não poluentes (canoagem e vela), trilhos de caminhadas, ciclovias, turismo de natureza e de observação de aves devidamente organizados e sinalizados.
Não uma ria de negócios, alvo de apetites imobiliários e de natureza restrita aos resorts turísticos, criando pequenos paraísos milionários, deixando a Formosa no seu todo entregue a uma depredação humana de saque de recursos, pesca ilegal, congestionada de barcos e motos de água e devastada pelo turismo de massas. A ria não está assim tão formosa e Faro necessita de se afirmar como uma terra sustentável e ecológica no coração do Parque Natural.
2) Faro capital !?…
O que seria de Faro sem a Universidade, o aeroporto e os serviços do Estado que aqui se concentram?… Cidade de contrastes, com considerável património histórico cultural, com casario térreo típico ao lado de prédios com um sem fim de andares, com uma notável herança de casas modernistas de autor (Manuel Gomes da Costa), Faro foi crescendo, mas dificilmente aprendendo com os muitos erros cometidos.
Continuamos a assistir à destruição de edifícios que, apesar de não serem classificados, deveriam ser preservados pelas suas características regionais (platibandas, açoteias, chaminés, empenas) e apoiada a sua reabilitação.
Daí a necessidade de ordenamento, de Planos de Pormenor, para que a requalificação do edificado ou a construção de novos prédios sejam perspectivados em relação e no contexto da rua e do bairro. Não de modo isolado. Não permitindo a adulteração com novas construções que não têm em consideração o contexto de inserção.
Viu o seu coração comercial e o pulsar essencial da Baixa esmorecer, para passar a bater mais forte numa outra cidade às suas portas que é o Forum. Não desenvolveu novos espaços verdes de lazer em zonas centrais. A Pontinha foi transformada numa praça de pedra. Importa requalificar ruas e praças, reabilitar e renovar casas, plantar árvores nas ruas e cuidar do espaço público.
Faltam espaços verdes na cidade, os quais devem ser definidos em função das necessidades dos cidadãos. Não a reboque dos interesses da especulação imobiliária, como foi o caso da entrada norte da cidade: Onde está o prometido espaço verde das Amoreiras, planeado há muito?!… para já é apenas uma vastidão de alcatrão, desvio de estradas e grandes superfícies comerciais.

Para quando acabar com as casas abarracadas aí existentes e realojar as famílias ciganas que aí vivem?… Anos e anos de inércia e ineficácia na gestão urbanística. E para acentuar o contraste surgem agora novos prédios de apartamentos a preços impossíveis, de nome chique, lado a lado com casas miseráveis, sem o mínimo de condições. Por outro lado, a cidade exige um maior cuidado ambiental: na manutenção do espaço público, na limpeza de ruas e recolha de lixos.
A cidade está longe de ser formosa.
3) Uma lufada de ar fresco político
Há que alimentar novas esperanças e abrir o horizonte político à construção de novas oportunidades, pensando a cidade como um todo, aliando o social ao cultural, o económico ao ambiente, a identidade ao exercício da imaginação de um futuro melhor e mais feliz na cidade que todos queremos que seja um exemplo de desenvolvimento sustentável, uma capital verdadeiramente moderna, cosmopolita e europeia.
Paulo Penisga | Candidato do Livre em Faro
