A Associação ZERO está preocupada com as águas balneares, uma vez que se regista menor excelência nas mesmas e um recorde de praias más dos últimos quatro anos.
Apesar de se ter verificado um aumento de 59 para 81 praias classificadas como «Praias ZERO Poluição» pela Associação ZERO entre 2024 e 2025, isto é, mais 22 praias e de ter aumentado o número de praias distinguidas com Bandeira Azul, passando o número de 398 para 404, ou seja, mais seis, entre o ano passado e este ano, os dados do relatório hoje divulgado pela Agência Europeia do Ambiente mostram «uma tendência alarmante».
Com base nas análises à qualidade das águas balneares em 2024, Portugal tem uma percentagem de águas balneares de qualidade excelente inferior à média da União Europeia mais Albânia e Suíça (o relatório envolve um total de 29 países): 82,6 por cento por comparação com uma média de 85 por cento.
Porém, para a ZERO, o pior é a tendência verificada, já que nos últimos quatro anos passámos de 88,5 por cento em 2021 para 82,6 por cento em 2024 (com 2022 e 2023 a registarem 84,8 por cento e 86,2 por cento, respetivamente).
É nesse sentido que a Associação se mostra «preocupada com a degradação da qualidade das águas balneares. Triplicámos o número de praias com má qualidade e reduzimos em quatro por cento as praias com excelente qualidade», de acordo com o comunicado de imprensa enviado à redação do barlavento.
Em 2023, Portugal considerou para efeitos da legislação da qualidade da água, 667 águas balneares, tendo 575 apresentado excelente qualidade (86,2 por cento) e três má qualidade (0,4 por cento).
Em 2024, informação agora divulgada, de um total de 673 águas balneares, 556 apresentaram excelente qualidade (82,6 por cento) – um decréscimo de quase quatro por cento e nove apresentaram má qualidade da água (1,4 por cento) – um valor três vezes superior e o mais elevado dos últimos quatro anos (2021 a 2024), mesmo considerando que se trata de um número diminuto de praias.
Para a ZERO, «esta tendência contrária e particularmente marcada no que respeita à redução das praias com excelente qualidade, merece uma avaliação por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e das Direções Regionais do Ambiente no caso dos Açores e Madeira, pelas responsabilidades que têm na gestão dos recursos hídricos».
«A seca pode ter reduzido caudais nas águas balneares interiores e agravado alguma contaminação presente, dado que cinco das nove praias más foram praias interiores», informa a associação ambientalista.
Das nove águas balneares que tiveram classificação «má» em 2024, todas estão abertas a banhos exceto o Ilhéu de Vila Franca do Campo na Ilha de São Miguel nos Açores
Nove águas balneares que estiveram em funcionamento em 2024 receberam a classificação «má» relativamente à qualidade da água. Cinco são águas balneares interiores, mostrando estas uma maior vulnerabilidade, dado que representam uma maior percentagem (3 por cento) relativamente ao total de águas balneares interiores (um total de 161), enquanto quatro são costeiras.
Das nove águas balneares com qualidade «má», seis são no Continente, duas na Madeira e uma nos Açores. Apenas uma das nove praias não estará em funcionamento nesta época balnear de 2025 – a praia do Ilhéu de Vila Franca do Campo, concelho de Vila Franca do Campo na Ilha de São Miguel nos Açores.
A ZERO recomenda a quem frequente estas zonas balneares uma particular atenção à informação e avisos da APA, dado que o seu historial mostra uma forte possibilidade de problemas de contaminação.
A APA disponibiliza este ano um website dedicado, denominado InfoÁgua, disponível aqui.