A presidente da Associação Rota Vicentina, Marta Cabral, considera que o recém apresentado Programa de Comunicação e Gestão de Branding do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina vai impulsionar o interesse pela região e pelo turismo de natureza.
«A cooperação é sempre muito desejável. Esta fatalidade terrível dos incêndios de 2023 fez com que os municípios de ambas as regiões se aproximassem. Para nós, é absolutamente fundamental. Fronteiras administrativas neste tipo de trabalho são sempre muito complicadas de gerir e, portanto, diria que esse é um ponto muito importante», considerou, Marta Cabral, em declarações ao barlavento.
«O outro ponto do programa que me parece muito relevante é a cooperação entre as entidades de turismo e os municípios, que envolve também associações como a nossa, num cruzamento de realidades e interesses.
A responsável destacou ainda o cruzamento de interesses entre entidades de turismo, municípios e associações, bem como a importância de uma comunicação estruturada para contrariar a atenção gerada por temas tensos.
«A ideia de investir numa comunicação mais serena deste território é muito importante porque tem havido muita atenção em torno de uma série de questões muito tensas. É fundamental fazer o contraponto e que haja também um investimento consertado, transversal ao território, de comunicá-lo de uma forma serena, estruturada, que de facto transmita, aquilo que para nós, que aqui vivemos, ele é».
«Avancemos naquilo que é uma realidade territorial e que não é partida. Há uma unidade de paisagem que se chama Costa Alentejana e Vicentina. Temos um parque natural que de alguma forma dita o ritmo de transformação deste território e comunicá-lo de forma integrada é muito importante. Desse ponto de vista, estamos muito satisfeitos».
Sobre as intervenções no terreno, Marta Cabral referiu que o apoio financeiro vai permitir requalificar e melhorar os percursos pedestres e cicláveis.
«Sim. Havia a necessidade de repor as condições que foram destruídas pelos incêndios, mas este apoio também nos está a permitir repor, e melhor, a qualidade da sinalética e dos trilhos. Tivemos um inverno rigoroso, com tudo o que isso nos trouxe de bom, nomeadamente água, mas também com muito impacto no terreno. Foi providencial termos tido este apoio extra para investirmos um bocadinho na qualidade dos trilhos, da qual nós nos orgulhamos muito, mas é um esforço enorme. É muito bem-vinda esta ajuda», sublinhou.
De acordo com a dirigente associativa, a crescente procura pela oferta da Rota Vicentina levanta cada vez mais desafios na distribuição dos caminhantes no impacto que deixam no território.
«Temos vindo a ser, cada vez, mais procurados, tal como era esperado. Aquilo que para nós é muito importante é, por um lado, a distribuição dos caminhantes no território. O nosso esforço é de convidar os caminhantes e as empresas que trazem os caminhantes a usar os trilhos também do interior e não apenas do trilho dos pescadores, que é a face mais visível do projeto. E também de tornar a sua passagem cada vez mais pausada, com duas, três noites em cada ponto».
Ou seja, «há aqui todo um trabalho, digamos, de distribuição e de alívio de pressões. Por outro lado, o perfil do utilizador não está totalmente no nosso controle. A promoção da Rota Vicentina e, sobretudo, do trilho dos pescadores não é feita por nós. É todo um passa a palavra e um movimento de redes sociais e imprensa que não controlamos. Para nós, a promoção está sempre associada a uma sensibilização de cuidado (ambiental) e estamos a sentir que isso está a fugir um pouco àquilo que era a nossa capacidade inicial e, portanto, temos que reforçar», disse.
Neste ponto, o Programa de Comunicação e Gestão de Branding do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina «pode ser importante não só a nível de promoção e de ações no terreno, mas de reforço da componente de sensibilização. Estamos a falar de um Parque Natural, é mesmo sensível, e como tal, estamos muito empenhados em colaborar em tudo o que sejam ações que tragam sensibilização», concluiu.
