Natural de Albufeira, João Frade lança um novo álbum, com 10 temas, inspirado no Barrocal do Algarve, intitulado «Terra Ruiva».
O acordeonista e compositor João Frade disse à Lusa que o seu novo álbum, «Terra Ruiva», que partilha com os músicos Yarel Hernández e Michael Olivera, é inspirado no Barrocal do Algarve, nos aromas de laranjas, estevas e na sua terra barrenta.
Sobre os dez temas que constituem «Terra Ruiva», o acordeonista reconheceu que refletem «uma linguagem mais jazzística, e o soar melodias de latitudes do sul da Europa e Norte de África».
O músico confessa que se identifica muito com o Barrocal, onde vai regularmente, e «muitos dos temas do disco são inspirados por aquele aroma a laranjas e estevas», e na terra ruiva que o caracteriza e dá cor ao título do novo álbum.
«Sonhei que me caiu um dente» (Edu Mundo/João Frade), cantada pelo seu autor, é a única canção com letra de «Terra Ruiva», as restantes são instrumentais que propõem «imaginários ao critério de cada um».
Em entrevista à Lusa, o músico afirmou que, com este álbum, assume mais a liderança, «o ser homem da frente» do trio.
João Frade tem-se apresentado a solo, especialmente no estrangeiro. Recentemente atuou no Festival de Jazz de Ancona, na região do mar Adriático, em Itália, onde em 2002, em Castelfidardo, venceu um concurso internacional de acordeão.
Avesso a rótulos musicais, João Frade disse que faz «música portuguesa criativa», uma assimilação de vários ritmos portugueses, mas também de outras geografias.
«Terra Ruiva» é constituído por dez temas, todos de sua autoria.
«Nunca me senti compositor, acredito que a inspiração vem e nós somos só o recetor, um local de confluência», disse João Frade, que considera a música «um convite à partilha».
Sobre a inspiração para compor, o músico disse que «vem de vários sítios, dos afetos, de vivências pessoais, das comidas, das viagens, de locais», realçando que tem fascínio pelas «permutas culturais, o conhecer o outro, mas maioritariamente vem do Mediterrâneo».
O músico realçou que o acordeão «está muito ligado ao folclores em todo o mundo», acrescentando que «a música com acordeão é dançável», além de o instrumento estar presente «nas músicas tradicionais e de raiz».
A sua inspiração musical tem «a portugalidade, como pano de fundo. Há sempre um sotaquezinho, afirma, admitindo ser «fã da música portuguesa», e recusando qualquer ideia nacionalista.
A portugalidade, afirma, «reflete a nossa diáspora, e inclui as diferentes tradições musicais, desde o cante alentejano ao corridinho do Algarve, ou os Zés Pereiras de Entre Douro e Minho».
À Lusa, o músico disse que «em alguns temas» procura «de forma mais consciente certos maneirismos musicais portugueses».
O músico realçou a região onde nasceu, o Algarve, e este álbum surge muito do Barrocal, «uma região entre o litoral e o interior do Algarve, de terra barrenta, também chamada terra ruiva». É um regresso ao seu início como músico.
Natural de Albufeira, João Frade aprendeu a tocar acordeão na Casa do Povo, em São Bartolomeu de Messines, que se localiza no Barrocal.
O álbum «Terra Ruiva» foi gravado pelo trio composto por si, Michael Oliveira, na bateria, e Yarel Hernandez, no baixo elétrico, e conta com as participações especiais dos músicos Edu Mundo (voz), Adriano DD (percussões) e Miron Rafailovic (trompete).
Os músicos são companheiros há muitos anos. Olivera, por exemplo, participou no primeiro álbum de Frade.
O João Frade Trio «é um projeto para continuar». No ano passado apresentou-se em vários festivais, como o Med, em Loulé.
«A nossa música espraia-se pelas chamadas músicas do mundo e o jazz», disse Frade, que prefere o formato em trio, pois permite «o acordeão expor-se de uma forma diferente e é desafiante».
O acordeonista referiu-se ao trio como «um lugar comum», no sentido de partilha, «onde se encontram os músicos, cada um com um respirar diferente».
O músico reconhece-se como «um músico eclético» que desenvolveu «uma carreira mais na sombra», ao acompanhar outros artistas, como Mário Laginha e Maria João, com quem fez uma temporada, Pedro Jóia, Jorge Pardo, Carles Benavent, Mayra Andrade, Lura, Adiafa, Luis Represas, Munir Hossn, Ney Matogrosso, Dino d´Santiago e Mariza, que acompanha há cerca de oito anos e com que tem atuado “em salas onde dificilmente” poderia apresentar-se a solo.
«Terra Ruiva», editado hoje pela neerlandesa Walboomers, vai ser apresentado a partir de sexta-feira, dia 28 de março, na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa, na Casa da Música Francisco Alves Gato, em Mafra, nos arredores da capital, e na Casa do Sal, em Castro Marim, no Algarve.
Nestes concertos, além de temas do novo álbum, João Frade vai também tocar um tema do álbum homónimo, editado em 2018, e um de «Solilóquio», de 2019.
João Frade estudou no Centro Internacional de Música e Acordeão, em Saint-Sauves-d’Auvergne, em França. Em 2002, numa «vontade de evoluir», participou e venceu a Taça do Mundo e o Troféu Mundial em Acordeão, e o Prémio Internacional de Castelfidardo.
Em 2018, editou o seu álbum de estreia a solo, homónimo, em colaboração com Michael Olivera e Munir Hossn. Em 2019 editou o álbum a solo «Solilóquio» e «Morphonis», este em dueto com o trompetista Hugo Alves.
Em 2021, saiu «Lugares», em dueto com o violinista João Silva, seguido de «Moda Vestra», em 2022, com Rafael Correia a.k.a Sickonce, seguindo-se «Rewind», criado e produzido em parceria com Tuur Mons.
Em 2023 saiu «Rascunhos», em parceria com o guitarrista de jazz Bruno Santos.
Após uma pré-apresentação em Madrid a 8 de dezembro, João Frade inicia a sua digressão nacional, que passa também pelo Algarve, com concertos no Auditório Municipal de Albufeira a 29 de março, e na Casa do Sal, em Castro Marim, a 30 de março.
