Laboratório sediado em Faro tem vindo a apostar na transição digital da medicina dentária. Smile Shape distingue-se pela qualidade ergonómica das próteses que produz com estado da arte da tecnologia. Além do mercado interno, exporta para a Europa.
A Smileshape – Laboratório de Estética Dentária surge em 2015, em Faro, no seguimento de várias conversas entre dois grandes amigos, Miguel Belo e Pedro Afonso, ambos com uma larga experiência na área, e com ideias muito concretas quanto à necessidade de acompanhar a evolução tecnológica na área da estética dentária. A ideia é aliar dois conceitos fundamentais: a estética e a tecnologia digital, no Algarve.
«Delineámos o projeto com base num estudo de mercado nacional e verificámos também as tendências a nível internacional. Percebemos quase de imediato que o método de trabalho analógico, ainda largamente utilizado por cá, seria muito em breve ultrapassado pela tecnologia digital e que esta seria a forma correta de entrar no mercado nacional de forma inovadora e no mercado internacional com competências para concorrer com os melhores» dessa área, diz Miguel Belo.
Assim, «iniciámos a nossa atividade ao nível regional, com uma equipa reduzida de três elementos, passando depois a cinco, face ao exponencial crescimento das clínicas dentárias. Hoje, com todo o equipamento que temos, estamos presentes no mercado do Reino Unido, e com perspectivas de entrar no mercado escocês, muito em breve. Por isso tivemos de contratar mais cinco colaboradores. Passámos de uma microempresa para uma PME», acrescenta.

E, «tal como previmos, a evolução do digital tem sido uma realidade, aliada à inovação de materiais metal-free. Cresceu exponencialmente pelo que toda a conceção e fabrico do trabalho dentro do laboratório mudou. Fizemos por acompanhar esta tendência».
Por via da candidatura ao Programa de Apoio à Produção Nacional (PAPN), através do Programa Operacional CRESC Algarve 2020, e com base nos pressupostos do projeto, «conseguimos também beneficiar de um Incentivo a fundo perdido (na ordem dos 50 por cento), que se revelou bastante importante para a aquisição de todos os equipamentos que tínhamos definido».
«Começámos por incrementar a capacidade produtiva instalada com o reforço da tecnologia CAD/CAM (isto é, desenho e fabrico assistido por computador) que já tínhamos instalada no laboratório. Adquirimos diversos equipamentos, tais como impressoras 3D, scanner digital, entre outros. Em conjunto, com tudo o já tínhamos, permitiu-nos um exponencial aumento na produção, e tudo num menor espaço de tempo», revela.
A tecnologia CAD/CAM é usada na reabilitação oral com muitas vantagens. O laboratório pode produzir vários trabalhos em simultâneo; reduz-se o erro humano e há uma maior precisão e reprodutibilidade das estruturas e próteses, feitas à medida de cada paciente.
Além disso, o workflow digital veio simplificar todos os processos. Incrementa um maior controlo na repetibilidade e na previsibilidade da produção, sempre com o foco na estética e no término do trabalho. O paciente acaba sempre por beneficiar de todas estas evoluções, conseguindo obter, no final do processo, um produto de qualidade superior.
Ainda sobre o processo digital, «a experiência que temos tido em termos de colocação dos trabalhos em boca, é incrível».
Nos processos convencionais de fabrico de próteses dentárias, «há também que ter em conta a questão do transporte dos moldes. Os materiais são sensíveis, alteram-se, têm expansão e contração, mesmo quando os protocolos são seguidos. Com o digital, eliminamos tudo isso. O médico dentista faz a digitalização da boca do paciente e é gerado um ficheiro que vai gerar» a peça necessária.
Dado o sucesso de toda esta inovação, a Smile Shape acabou por adquirir, com capitais próprios, no final de 2023, uma fresadora industrial, apenas para fresar metal. «Somos hoje como um laboratório totalmente autónomo na conceção dos nossos trabalhos».
Ainda segundo os sócio-gerente e fundadores, a gestão de um laboratório impõe um ritmo alucinante que coloca toda a equipa à prova, para que sejam cumpridos os timings definidos. Todos os detalhes contam. Desde a recepção dos trabalhos, à elaboração e embalamento dos mesmos, os trabalhos passam por várias etapas para alcançar com a maior precisão possível, a prescrição do médico dentista. Todas as áreas de trabalho são rigorosamente definidas para que não haja falhas e todas as etapas sejam cumpridas, dizem.

Para conferir uma estrutura mais sólida a todo este procedimento, e dando cumprimento aos requisitos do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, a Smile Shape está na fase final de implementação do sistema de qualidade Norma NP EN ISO 13485:2016.
Esta norma reconhece que a empresa tem capacidade para proporcionar dispositivos médicos e serviços relacionados que cumprem os requisitos dos clientes e os requisitos regulamentares aplicáveis. Estes têm por bases as normas ISO 9000, mas são orientados para o fabrico de dispositivos médicos, com especificidades para o sector.
Cada trabalho entregue é acompanhado por uma ficha técnica, com informações sobre os materiais utilizados, os fornecedores, a certificação CE, além de outros parâmetros de segurança.
A formação contínua dos colaboradores é também fundamental para que todo este processo seja sustentado e coeso.
Miguel Belo, com 35 anos de experiência no ramo, sublinha que «cada boca é diferente. Existem guidelines e normas, mas ainda assim, é fundamental o conhecimento de cada detalhe para que o trabalho possa sair perfeito em termos de oclusão e de estética para devolver ao paciente a vontade de sorrir».
«É neste sentido que cada vez mais fazemos formações nacionais e internacionais, para garantir a atualização dos conhecimentos dos nossos colaboradores e sobretudo a satisfação do nosso cliente», acrescenta.
A Smile Shape foi distinguida pelo terceiro consecutivo como uma das TOP 5Melhores PME de Portugal, ao nível do índice de desempenho e solidez financeira – Scoring RIDS, «uma distinção que muito nos satisfaz e que nos indica que estamos no caminho certo», conclui.
Mercado adota o digital, mas a componente humana é fundamental
Segundo o Barómetro de Saúde Oral 2023 da Ordem dos Médicos Dentistas, apenas 41,1 por cento dos portugueses têm dentição completa, sendo que 36,1 por cento apresenta falta de um a cinco dentes, e 6,2 por cento são desdentados totais.
A substituição de dentes perdidos é essencial para restaurar as funções orais, como mastigação, fonética e estética. A evolução das novas técnicas de produção de implantes está a crescer em Portugal.
No entanto, apesar das vantagens da tecnologia, «não nos podemos cingir apenas ao modelo digital. É preciso considerar mais informações. Por exemplo, como é o rosto da pessoa que vai receber a prótese? É um rosto redondo ou oval? E qual a cor de pele? Precisamos de todas os detalhes sobre o paciente para podermos fazer o melhor trabalho», reforça Miguel Belo.
«Não é apenas para os profissionais de saúde que estamos a trabalhar, mas para o paciente, que é quem recebe as peças que aqui fazemos. Portanto, o objetivo final é sempre o paciente», sublinha.
«Para nós é fundamental que o paciente saia da clínica com o melhor resultado possível, quer do ponto de vista funcional, quer do ponto de vista estético. Às vezes não é possível chegar à expetativa da parte funcional, porque muitas vezes as pessoas têm problemas ao nível de oclusão e há todo um conjunto de fatores que não permite chegar à perfeição. Mas consegue-se melhorar bastante a qualidade de vida», garante.
E apesar de toda a tecnologia digital, as peças precisam de um trabalho manual final muito especializado. «O acabamento, o refinar da peça é feito à mão. Digamos que é a parte do joalheiro. Trabalhar o detalhe, o polimento, a pigmentação dos dentes», por si, também todo um mundo de tonalidades.
Fotografia de dentes polarizados
Uma fatia de dente natural, com milímetros de espessura, é colocada entre dois filtros polarizadores. Por baixo dos filtros, Miguel Belo coloca um flash na vertical e por cima, a câmara fotográfica com uma objetiva macro montada num tripé. O resultado são imagens artísticas originais que mostram a incrível engenharia da biologia humana.

«Levei anos a dominar esta técnica», diz. Uma única amostra é capaz de produzir imagens diferentes apenas com a manipulação da luz. Basta rodar os filtros e surge uma nova perspectiva. «Na pandemia, contudo, um especialista francês neste tipo de fotografia, fez um curso online. Inscrevi-me. Com o tudo aquilo que já sabia, foi uma evolução brutal até chegar ao segredo desta arte. A partir daí nunca mais parei e hoje consigo excelentes obter resultados de fotografia pura e dura», ou seja, sem pós-produção.
Apesar de esta técnica não ter uma aplicação prática, o resultado «parece joalharia. Consigo entrar dentro do dente, ultrapassar o esmalte e obter apenas a cor da dentina. Os dentes de pacientes mais idosos são os mais ricos por causa do desgaste. Dentes jovens também são muito bonitos, porque têm outra temperatura de cor», revela.
Belo explica que o interesse por esta área é que «toca toda uma série de áreas diferentes como a fotografia, a pintura, o trabalho manual, a atenção ao detalhe. Exige atualização constante, uma busca por novos materiais e novas técnicas».
Como se faz um dente?
A escala de espessura para a cerâmica usada nas próteses dentárias varia entre 0,1 a 1 milímetro de espessura. «Hoje já se faz tudo em zircónio, um chamado metal branco. É, digamos, quase como se fosse um giz», explica Miguel Belo. Uma vez recebidos os ficheiros digitais, a informação é passada para as fresadoras.
A máquina começa a desgastar o disco de zircónio até fazer o dente, 30 por cento acima do tamanho normal. Porquê? Porque devido ao processo de cozedura em forno, durante 12 horas, a 1560ºC para fazer a sinterização do zircónio, esse volume extra vai reduzir e ficar no tamanho normal pretendido. Além disso, o laboratório também faz gengivas artificiais, para mimetizar a boca do paciente (estética branca e rosa).









