Geógrafa de formação e programadora, Inês Boski, 26 anos, é a mente criativa por detrás da organização da FénixHack, «uma espécie de desenvolvimento coletivo» que terá início às 18 horas de sexta-feira, dia 13 de julho, na Escola Secundária de Loulé. Será um hackathon, formato habitual neste tipo de eventos, com data e duração estipuladas para se chegar a um determinado objetivo.
Assim, durante 48 horas, pretende-se juntar programadores, cidadãos ativos, empreendedores digitais, estudantes, peritos da indústria, assessores científicos, ativistas e representantes da função pública, para discutirem e desenvolverem todas as ideias que possam resultar em novas soluções tecnológicas de prevenção, combate, vigilância e gestão de incêndios florestais.
Inês Boski, fundadora de uma agência de desenvolvimento web (Webmill) resolveu avançar com a FénixHack ainda no rescaldo dos acontecimentos de Pedrógão Grande.
«O Fénixhack entende a problemática da gestão dos incêndios florestais como uma problemática multidisciplinar, convidando assim participantes de todas as áreas do saber a exercer a criatividade necessária. Convidamos jovens universitários, peritos da indústria, docentes, investigadores, agentes da proteção civil, funcionários públicos e atores da sociedade civil a juntarem-se enquanto participantes, mentores ou parceiros desta iniciativa», explicou ao «barlavento».
Segundo a organizadora, «esta é uma iniciativa que vale a pena ser aproveitada quer por novos projetos e ideias que ainda estão numa fase muito embrionária, quer por outros já existentes, desde que não tenham recebido investimento ou prémios financeiros».
As soluções tecnológicas serão ao nível do hardware e de software, por exemplo, «plataformas on-line para uma melhor sinalização dos incêndios e melhor notificação das ocorrências». Os participantes podem ter, ou não, um projeto prévio. Se não tiverem, mas ainda assim quiserem apresentar uma ideia no início do evento, então são convidados a fazê-lo. Se não tiverem nem projeto, nem ideia, poderão juntar-se a outras ideias ou projetos e formar equipa.
As inscrições abriram a 13 de junho e terminam esta semana, na sexta-feira, 6 de julho. Até ao fecho de edição (na terça-feira, dia 3), estavam inscritos mais de 40 interessados.
«Sem a comunidade tech local não existiria evento», realça Boski.
No início da maratona, os participantes terão acesso a um guia orientador, com algumas dicas e considerações acerca de aspetos chave a mudar e/ou a melhorar no cenário atual da gestão florestal. Depois serão organizadas equipas.
Na final, a 15 de julho, serão anunciados os três melhores projetos. Haverá prémios no valor de 2000 (primeiro), 1000 (segundo) e 500 (terceiro) euros. Além do dinheiro, terão apoio de uma rede de mentores, incubadoras e aceleradoras de empresas.
A participação é gratuita, sendo que a organização fornece alimentação e alojamento no recinto.
Questionada sobre a escolha de Loulé, Inês Boski explica que «foi-nos sugerida pelo professor João Guerreiro, presidente da Comissão Técnica independente responsável pelo relatório sobre os incêndios de outubro de 2017, que indicou a disposição acolhedora da Câmara Municipal de Loulé em relação a este tipo de iniciativas. Efetivamente e como se veio a corroborar, o vice-presidente da autarquia Pedro Pimpão, averiguou-se ser um aliado importante para o desenvolvimento da nossa campanha. É importante notar que Faro tinha já acolhido o ShiftFaro em março 2018, tendo a Câmara Municipal de Faro diminuídas capacidades de voltar a investir num segundo evento do género».
A FénixHack conta ainda com o apoio institucional da Secretaria de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural e também da Presidência da República.