Paralelamente à programação especificamente para crianças que ocupa o início da semana e que integra o filme de animação O REI E O PÁSSARO e a performance musical DENTRO DA CABEÇA NEM TUDO É CLARO da pianista e compositora Joana Sá, há muito mais para ver na cidade:
A coreógrafa Vera Mantero apresenta OS SERRENHOS DO CALDEIRÃO, EXERCÍCIOS EM ANTROPOLOGIA FICCIONAL (4 novembro, Centro Cultural de Lagos). Articulando as suas recolhas de vídeo com as recolhas em filme de Michel Giacometti, sobretudo as feitas em torno de canções de trabalho, Mantero traz-nos uma ideia de cosmologia que deverá ser reativada, uma recuperação de saberes perdidos, tudo isto mediado pela reflexão sobre a desertificação e desumanização da Serra do Caldeirão no Algarve.
Na música destaque para os concertos na noite de 5 de Novembro no Centro Cultural de Lagos: LIVE LOW apresentam o seu novo disco TOADA, um trabalho que recupera algum repertório do Cancioneiro, da música de trabalho e da tradição oral, aproximando Michel Giacometti a Alan Lomax, onde sonoridades planas e bucólicas são interrompidas por elementos eletrónicos e percussivos, numa espécie de mimetismo da lavoura e da sua envolvente.
Depois dos Live Low entram em palco os BLACK BOMBAIM com RODRIGO AMADO como convidado, saxofonista que encerrará depois o Festival no dia 6 de novembro com um concerto a solo na Galeria LAR.
Pelo meio ainda a dupla de clubbing LES ROCKOEURS a fechar o dia 5 de novembro, numa noite que se pretende ser de festa e celebração no LAC – Laboratório de Atividades Criativas.
O cinema e o vídeo estão também presentes – em quatro dias quatro filmes e vídeos serão exibidos na Galeria LAR: UM ELEFANTE NA SALA de Helena Inverno e Verónica Castro, DEPORTADO de Natalie Mansoux (obra que trata das histórias de homens expulsos dos EUA devido a penas criminais, e obrigados a regressar aos Açores para viver em centros de acolhimento), Curtas de Bill Domonkos (autor que trabalha a partir de found footage e combina animações computorizadas, efeitos especiais, fotografia e imagens de arquivo manipuladas) e TRACES OF A DIARY de Marco Martins e André Príncipe, filme exibido no âmbito da Exposição Colectiva de Fotografia Começar do Zero que se encontra patente no Centro Cultural de Lagos até ao final de dezembro, e que integra obras de André Príncipe, André Uerba, Andrej Djerkovic, Patrícia Almeida e Vasco Célio. Do Sotavento ao Barlavento, a criação artística contemporânea marca presença no Algarve.