Apenas os concelhos de Monchique, São Brás de Alportel, Castro Marim e Alcoutim não foram contemplados com ações de manifestação contra a precariedade dos professores no Algarve. Todos os restantes municípios tiveram dirigentes e delegados do Sindicato dos Professores da Zona Sul SPZS) à porta de diversos agrupamentos escolares, no âmbito da Semana Nacional de Esclarecimento, Reivindicação e Luta da CGTP-IN, entre 26 e 30 de setembro.
O desemprego e a precariedade foram os temas de debate, pois, segundo o SPZS, neste ano letivo faltam colocar 25 mil docentes, sendo que a maioria dos professores contratados ocupa horários temporários e incompletos e possui mais de 10 anos de serviço. «No Algarve há somente três docentes contratados com menos de 30 anos de idade. A precariedade é ainda visível através da maioria dos horários de trabalho» denunciados, todos os dias, no sindicato, descreveu a estrutura que defende os direitos dos professores.
«A desregulação é constante, com docentes a lecionar cinco ou mais programas diferentes, com dez ou mais turmas, e horários construídos com furos (horas sem atividades) que obrigam os docentes a permanecer nas escolas, mas sem conseguirem trabalhar, uma vez que não existem espaços específicos para o efeito», denunciou ainda o SPZS.
Também o desgaste desta profissão foi abordado pela estrutura sindical, pois, citando dados do Ministério da Educação, «em 2015, no Algarve, dos 5648 docentes nas escolas públicas, 1161 eram contratados, o que se traduz numa taxa de precariedade de 21 por cento». Também dos 6182 professores dos ensinos público e privado na região, «1,7 por cento tinha menos de 30 anos de idade e 33 por cento mais de 50», sendo considerados por este sindicato «números que impressionam e que urge combater».
O SPSZ aponta diversos problemas, acentuados com as políticas de direita, como a precariedade, o desemprego, o abandono de professores e as reformas antecipadas pouco dignas, originados por «encerramento de escolas do 1º ciclo com menos de 25 alunos, criação de (mega) agrupamentos, aumento do número de alunos por turma, austeridade aplicada à função pública, cortes no vencimento, aumento da idade de reforma, congelamento de carreiras» e a «grave insuficiência de técnicos especializados e de funcionários».