O ministro das Finanças, natural do Algarve, tem mantido o silêncio quanto aos contornos da nova taxa sobre o património imobiliário, anunciado na semana passada, no Parlamento. A contestação, pelo contrário, têm-se feito ouvir. O NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve considera que «a dúvida e a confusão estão lançadas. Desconhece-se o âmbito dos setores, os mecanismos aplicados e os valores em causa». Em discordância, apela ao governo para reconsiderar a intenção. «O Algarve, onde existe um vasto mercado imobiliário, cuja tributação em IMI já é elevada, pode ser fortemente afetada por mais medidas que possam gerar insegurança nos investidores nacionais e em particular nos estrangeiros, que atuam de formas diferentes, entre as quais os Vistos Gold. Portugal e o Algarve não se podem dar ao luxo de perder investimento estrangeiro e de afugentar quem cá já investiu», alerta o NERA. Também a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) discorda. «Após a aprovação da malfadada Taxa Solar e, quando nada o fazia prever, surge no horizonte um novo imposto sobre o património imobiliário, acentuando ainda mais a instabilidade fiscal que vem caracterizando o nosso país». Os hoteleiros não compreendem a medida, anunciada numa altura, em que o turismo residencial é dos poucos sectores onde o investimento estrangeiro tem vindo a crescer. «Vem causar uma enorme apreensão nos agentes económicos, e impacto negativo junto de potenciais investidores nacionais e internacionais», avisa a AHETA.