«É a nossa gastronomia, a nossa cultura, aquilo que nos diferencia e que vai fazer com que as pessoas nos procurem e encontrem um produto diferenciado não apenas pela qualidade, mas pelo caráter único do país e do Algarve. A dieta mediterrânica é tudo isso. É um elemento identitário importantíssimo que nos dá um potencial muito grande, e que tem sido explorado positivamente nestas feiras», considerou Pedro Marques, ministro do Planeamento e Infraestruturas, na passada quinta-feira, 1 de setembro, em Tavira.
Apesar de se ter deslocado com a missão de inaugurar o certame, o governante foi questionado sobre as portagens, 15 por cento mais baratas desde 1 de agosto. «O governo tem feito questão de cumprir aquilo com que se comprometeu na campanha eleitoral. Portanto, nas autoestradas do interior e aqui na A22 que está mais distante dos principais centros populacionais e que tem impacto na mobilidade e atratibilidade de turistas, cumprimos o nosso compromisso de haver uma redução de portagens», sublinhou. «Redução essa que já impactou no mês de agosto. Já houve mais circulação, mais veículos na A22 do que no período equivalente no ano passado. Já houve uma poupança na ordem das várias centenas de milhares de euros» para os utilizadores da Via do Infante.
Citando estimativas, Pedro Marques calculou que «o dinheiro que as pessoas pagam a menos e que fica no bolso dos portugueses, poderá ascender a 15 milhões de euros». «Alguns disseram que era pouco, eu reconheço e percebo isso. Mas as pessoas também compreendem que as coisas têm de ser feitas com sustentabilidade, com os pés na terra», disse. Na perspetiva do governante, a redução de receita para o Estado «é sustentável, é razoável e equilibrada».
O ministro lembrou ainda que estão a ser desenvolvidos «projetos de Desenvolvimento Local de Base Comunitária (DLBC)» em todo o país. «No caso de Tavira, o principal protagonista é a Fundação Irene Rolo, em parceria com a Cruz Vermelha, a Câmara e várias entidades locais. Tem esta marca identitária e vai procurar promover a dieta mediterrânica», acrescentou. «É projeto aprovado no valor de 1 milhão de euros» financiado por fundos comunitários. «Em geral, diria que projetos de promoção do melhor que temos no nosso território, daquilo que são as nossas marcas identitárias, têm e vão ter financiamento comunitário ao longo dos próximos anos», garantiu
Já o anfitrião do evento, o presidente da Câmara Municipal de Tavira Jorge Botelho frisou que «o retorno financeiro da Dieta Mediterrânica já é visível todo o ano, com o aumento da atividade. Requalificamos a restauração, abriram espaços comerciais e esticou o período da sazonalidade. Acabou em outubro do ano passado, com meses de época baixa mais amenos e em março já tínhamos gente» a procurar Tavira.
«Há todo um sistema de passagem para os empresários de um nível de confiança à volta de um projeto identitário e de território, que culmina aqui na feira. A cadeia de valor de tudo aquilo que é nosso está outra vez a crescer», disse, referindo-se ao retomar do artesanato e de atividades tradicionais como a apicultura.
«Em 2009 quando vim para a Câmara mais de 30 por cento das lojas do comércio tradicional estavam vazias e encerradas. Hoje não se consegue arranjar um espaço. É bom porque cria e mantém emprego todo o ano», frisou.
E «nesta dinâmica de valorizar o Algarve na época baixa, o projeto da Dieta Mediterrânica é absolutamente estruturante. A ATA está a vender pacotes turísticos, sob o lema também da Dieta Mediterrânica que significa qualidade de vida, gastronomia, artesanato, toda uma cultura que está à disposição dos turistas», concluiu Jorge Botelho.
Dieta Mediterrânica é «projeto estruturante» para o Algarve